- Gilmar Mendes apontou a possibilidade de renomear o Fórum de Lisboa para Fórum Mundial de Lisboa e ampliar a participação de estrangeiros, com painéis em inglês.
- O XIV Fórum de Lisboa teve participação recorde: 2.435 credenciados, 432 palestrantes, total de 2.867 participantes em setenta painéis.
- O evento mantém a linha interdisciplinar, reunindo academia, autoridades e setor produtivo, expandindo o diálogo para o espaço lusófono desde 2024.
- Mendes defende o multilateralismo como resposta a discursos nacionalistas e destaca a importância de governança de dados, IA e cooperação internacional.
- A participação feminina cresceu: 31% entre os painelistas e 37% nos painéis principais; próxima edição está marcada para 5 a 7 de julho de 2027.
O ministro Gilmar Mendes encerrou nesta quarta-feira, 3, o XIV Fórum de Lisboa, em Lisboa, Portugal, com a possibilidade de transformar o encontro em uma versão mundial. A ideia surgiu a partir de um projeto de ampliar a participação de estrangeiros nos debates, inclusive com painéis em inglês.
Segundo o ministro, o avanço pode levar à troca de nome para Fórum Mundial de Lisboa, sinalizando uma ampliação temática e de alcance internacional. A proposta foi apresentada por um professor durante o evento. A fala não descartou mudanças institucionais no formato.
Mendes avaliou as críticas ao Fórum com serenidade, afirmando que leituras apressadas e oportunismos não anulam o trabalho realizado. O decano do STF destacou que críticas, mesmo duras, ajudam a ampliar a visibilidade do encontro.
Balanço da 14ª edição apontou recorde de participação: 2.435 credenciados, 432 palestrantes, totalizando 2.867 pessoas em 70 painéis. O ministro disse que o Fórum se firmou como espaço internacional de diálogo entre magistrados, legisladores, advogados, gestores públicos e representantes do setor produtivo.
O ministro lembrou a origem do Fórum, criado em 2013 por institutos da Universidade de Lisboa e do Brasil, com a coorganização da FGV desde 2018. Em 2024, houve a mudança para o nome simplificado Fórum de Lisboa, refletindo a ampliação de temas.
Interdisciplinar
A atuação manteve o eixo acadêmico, mas passou a dialogar também com Direito, Gestão, Política, Economia, regulação e atividade produtiva. A força do encontro, disse, está na convergência entre universidades, autoridades e setor produtivo em nível internacional.
Multilateralismo
Mendes defendeu o multilateralismo como resposta ao avanço de discursos nacionalistas. Em um cenário de fragmentação global, o diálogo entre países, cortes e organismos internacionais é visto como essencial para a preservação das democracias.
Nacional-populismo
O ministro criticou o que chamou de nacional-populismo, destacando a importância do diálogo entre cortes, tribunais internacionais de direitos humanos e cooperação jurídica. Também discutiu soberania conectada ao ambiente digital, com governança ainda fora dos mecanismos multilaterais.
Disse que soberania no século XXI envolve decisões que vão além de tratados, passando pelo código e por padrões técnicos, moderação de conteúdos e controle de dados transnacionais.
O Fórum também favoreceu a participação de países africanos de língua portuguesa, respondendo a um pedido feito na edição anterior. Mendes afirmou que trazer esses convidados foi uma dívida do Fórum com a lusofonia.
Presença feminina
Mendes destacou o aumento da participação feminina: 31% dos painelistas foram mulheres, com 37% nos painéis principais. Em números absolutos, 135 mulheres participaram neste ano, ante 96 em 2025.
Sugestões para futuras edições incluíram ampliar a participação de estrangeiros, reduzir barreiras linguísticas, ampliar painéis em inglês, adotar tradução simultânea e elaborar um documento final com metas específicas.
O ministro convidou os participantes para a próxima edição, prevista para 5 a 7 de julho de 2027, quando o Fórum completa 15 anos. O evento ocorrerá mantendo o compromisso com diálogo, democracia e direito.
O XIV Fórum de Lisboa ocorreu de 1 a 3 de junho, com o tema Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios democráticos, econômicos e sociais. O encontro reúne autoridades e acadêmicos para debater IA, regulação de plataformas, proteção de crianças online, segurança pública e impactos da tecnologia na democracia.
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