Em Alta Copa do Mundo NotíciasPessoasAcontecimentos internacionaisConflitosPolítica

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Há 100 anos, Brasil disputou vaga permanente na Liga das Nações

Há cem anos, Brasil vetou a entrada da Alemanha na Liga das Nações, paralisando a organização e provocando a saída do país em 1926

Gazeta de Notícias trata, em 1926, da saída do Brasil da Liga das Nações
0:00
Carregando...
0:00
  • Em 1926, o Brasil vetou a entrada da Alemanha na Liga das Nações, exercendo poder de veto como membro temporário do Conselho Executivo.
  • O veto foi anunciado em Genebra, em assembleia extraordinária, no dia 17 de março de 1926, paralisando a Liga.
  • Em 12 de junho de 1926, isolado, o Brasil anunciou saída da Liga das Nações para evitar humilhação e a remoção da cadeira provisória, permanecendo fora até 1946.
  • O episódio provocou intenso debate no Congresso Nacional, com críticas à atuação do governo e debates sobre a necessidade de um representante permanente para as Américas.
  • Personalidades brasileiras associadas à Liga incluíram Rui Barbosa, Epitácio Pessoa e Carlos Chagas, além de participação no Comitê de Higiene, embrião da Organização Mundial da Saúde.

O Brasil vetou a entrada da Alemanha na Liga das Nações em 1926, na condição de membro permanente do Conselho Executivo, impedindo assim a ambição de sediar essa vaga. A decisão ocorreu na esteira da crise diplomática que paralisou a organização por semanas.

A ação foi anunciada por diplomatas brasileiros durante uma assembleia extraordinária na sede da Liga, em Genebra, em 17 de março de 1926. Diante da possibilidade de a Alemanha ser admitida, o Brasil manteve seu veto para defender seus interesses nacionais.

Contexto histórico

A Liga das Nações, criada em 1919 após a Primeira Guerra Mundial, tinha como objetivo evitar conflitos e promover a paz. O Brasil, que integrava o Conselho Executivo temporariamente, buscava ocupar permanentemente uma cadeira de relevância internacional.

O Brasil argumentou que as Américas precisavam de representação permanente no Conselho Executivo, embora os Estados Unidos não fossem membros. A posição brasileira refletia também a pressão de potências europeias e o cenário de isolamento norte-americano da época.

Repercussões diplomáticas

A paralisia causada pelo veto gerou apreensão mundial por algumas semanas, até que o país decidiu, em 12 de junho, deixar a Liga das Nações para evitar humilhação. A saída se manteve até a dissolução da organização, em 1946, sem retorno brasileiro.

Documentos do Arquivo do Senado, em Brasília, revelam que senadores debatiam intensamente o tema. Parlamentares criticaram a decisão, destacando impactos sobre a imagem diplomática do país.

Protagonistas brasileiros

Entre as figuras que atuaram nos bastidores, destacaram-se o ex-presidente Epitácio Pessoa e o senador Rui Barbosa, que integrou o Comitê de Higiene da Liga, antepassado da OMS. A eleição de Rui Barbosa ao cargo na cortes foi celebrada por colegas, mas não chegou a ocorrer.

O então senador Félix Pacheco elogiou a votação que reconheceu Rui Barbosa, afirmando tratar-se de uma vitória histórica para o Brasil. Rui Barbosa faleceu em 1923, antes de ocupar a posição prevista.

Análises e motivações

O presidente Artur Bernardes defendia que a posição brasileira era vital para os interesses do continente americano. Em mensagem ao Congresso, Bernardes reiterou a necessidade de representação adequada na Liga, criticando pactos secretos que poderiam comprometer a paz.

O veto também foi explicado pelo entendimento de que decisões europeias, como o Tratado de Locarno, não poderiam impor deliberações ao Conselho da Liga sem consulta aos membros temporários, de acordo com críticos da época.

Legados diplomáticos

Ao longo de sua história, a Liga manteve participação brasileira até a saída em 1926 e, posteriormente, até 1946. A atuação do Brasil na Liga das Nações é lembrada como um marco de afirmação diplomática, mesmo diante de controvérsias internas.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais