- A juíza de imigração de Charlotte, Amy Lee, ordenou a deportação de Levi Mendez-Maldonado in absentia em 21 de maio, mesmo após ele ter sido morto em novembro de 2024.
- Mendez-Maldonado era natural de Honduras, chegou aos EUA como menor não acompanhado aos 17 anos e, na época, tinha processo de asilo pendente. A advogada Becca O’Neill apresentou atestado de morte e registros da polícia, mas a juíza considerou insuficentes para provar o óbito.
- A audiência ocorreu mesmo com a ausência reconhecida, sem que a decisão mencionasse a morte no próprio despacho, segundo a defesa.
- O tribunal de imigração que atende a Carolina do Norte e a Carolina do Sul tem backlog de cerca de 129 mil casos pendentes e, em 2025, concedeu alívio legal em cerca de 1% dos casos.
- Defensoras dizem que a decisão evidencia problemas no sistema de imigração e citam casos de desumanização de imigrantes, inclusive após a morte.
Levi Mendez-Maldonado, um jovem hondurenho que entrou nos EUA como menor não acompanhado, teve a deportação ordenada em menos de cinco minutos por uma juíza de imigração em Charlotte, Carolina do Norte. A decisão foi proferida em 21 de maio, na audiência realizada à revelia do réu, que já havia falecido em novembro de 2024. O caso envolve um processo de asilo movido por ele e a defesa migratória coordenada pela advogada Becca O’Neill, da Carolina Migrant Network.
A audiência ocorreu na Corte de Imigração de Charlotte, que atende casos dos estados da Carolina do Norte e da Carolina do Sul. O objetivo era o primeiro passo do processo de remoção, que costuma se estender por anos. O’Neill apresentou certificados de óbito e registros da polícia, mas a juíza informou que tais documentos não comprovavam a morte aos olhos do tribunal, segundo relatos da advogada. A perícia continua sob investigação pela polícia de Charlotte-Mecklenburg.
Becca O’Neill acompanhava o caso desde 2024, quando Mendez-Maldonado ainda buscava uma decisão sobre o asilo. O jovem pai e mecânico havia conseguido uma autorização de trabalho em processo preliminar de 2025, mas faleceu antes de qualquer decisão final. A advogada afirmou que a decisão ocorreu sem reorientação da sala para o contexto da ausência por morte do réu.
Situação processual e contexto
A defesa argumentou que o falecimento deveria impedir a continuidade do processo. A ordem de deportação foi emitida com base no não comparecimento, sem menção explícita à morte no texto da magistrada. A ONG Carolina Migrant Network aponta que a prática pode desumanizar imigrantes, especialmente em casos de falecimento.
Especialistas ouvidos pela reportagem indicam que o tribunal tem histórico de manter casos com alta sobrecarga e prazos extensos. Dados de 2025 indicam que o tribunal de Charlotte recebeu milhares de ações e manteve um expressivo atraso no andamento de processos de asilo. O caso de Mendez-Maldonado traz à tona questionamentos sobre procedimentos quando a morte de um réu já é conhecida formalmente.
Reações e próximos passos
A advogada O’Neill expressou surpresa com a ausência de reconhecimento do falecimento durante a audiência e afirmou que o processo poderia ter sido tratado de forma diferente, incluindo uma eventual suspensão ou cancelamento. Stefania Arteaga, fundadora da Carolina Migrant Network, ressaltou que a decisão evidencia questões sistêmicas no tratamento de imigrantes, em especial em contextos de violência e vulnerabilidade.
A Guarda Nacional de Charlotte e a polícia continuam com investigações abertas sobre o homicídio de Mendez-Maldonado, ocorrido em novembro de 2024. A investigação não teve novas informações apresentadas à imprensa até o momento. O caso permanece sem conclusão pública sobre as circunstâncias do assassinato.
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