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Direitos humanos, pena de morte e novo julgamento no Irã

Suprema Corte do Irã anula pena de morte de casal e ordena novo julgamento, com vigilância internacional para garantir defesa plena e proibição de tortura

Og Pereira de Souza, advogado, especialista em Direito e Jurisdição pela Escola da Magistratura do Distrito Federal. Foi conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Distrito Federal - (crédito: Arquivo pessoal)
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  • A Suprema Corte do Irã anulou as penas de morte de Bita Hemmati e Mohammadreza Majidi-Asl e determinou um novo julgamento.
  • Organizações de direitos humanos apontam dúvidas sobre a regularidade das acusações, as confissões e o respeito às garantias de defesa no caso.
  • Foi apresentado à ONU, por meio dos Procedimentos Especiais, o Urgent Appeal nº ziewjvi9, para acompanhar o novo processo e defender o direito à vida.
  • O direito internacional estabelece que a pena de morte não pode ser aplicada com base em processos secretos, tortura, confissões forçadas ou sem devido processo.
  • A defesa dos direitos humanos lembra que a soberania não é absoluta e que a vida depende de um processo penal justo e independente.

O Irã viveu um desenvolvimento relevante no âmbito dos direitos humanos: a Suprema Corte anulou as penas de morte de um casal iraniano e determinou um novo julgamento. A decisão, ainda que não trate de absolvição, sinaliza abertura a revisões processuais.

Especialistas e organizações de direitos humanos apontam que o caso envolve dúvidas sobre a regularidade das acusações, a validade de confissões e o respeito às garantias de defesa. A anulação das penas abre uma fase processual adicional no país.

O Irã, que integra a ONU desde 1945, ratificou o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, assumindo obrigações sobre o direito à vida, proibição da tortura, julgamento justo e devido processo. Jurisprudências nacionais também pesam nesse equilíbrio.

O ordenamento iraniano prevê mecanismos que vão além da leitura automática da pena capital. A Constituição garante direito de acesso aos tribunais, escolha de advogado e presunção de inocência, além de possibilidades de revisão e comutação.

Nesse contexto, Bita Hemmati e Mohammadreza Majidi-Asl enfrentam um novo cenário penal. Organizações de direitos humanos questionam a regularidade das acusações e o respeito às garantias processuais básicas.

Novo julgamento no Irã

A comunidade internacional foi informada por meio de um Urgent Appeal apresentado ao Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. O objetivo é assegurar que o novo julgamento observe o direito à vida, a defesa ampla e o devido processo independente.

O documento solicita que provas obtidas sob tortura sejam excluídas e que o padrão internacional mínimo seja aplicado durante a revisitação do caso. O objetivo é evitar violações graves durante a nova fase processual.

O texto enfatiza que a defesa dos direitos humanos não prejudica a soberania dos Estados, mas impõe limites à dignidade humana. Quando a vida de pessoas está em jogo, a vigilância internacional se justifica.

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