- A Eurasia Group diz que a retirada do veto brasileiro à prorrogação da moratória global sobre comércio eletrônico na OMC não deverá bastar para atender aos EUA.
- A probabilidade de um acordo entre Brasil e Estados Unidos é estimada entre 30% e 35%.
- O impasse remonta à conferência ministerial da OMC em Camarões, quando os EUA defendiam a prorrogação permanente da moratória; Brasil e Turquia se manifestaram contra.
- O Brasil ficou isolado na reunião, e o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, voltou a Washington afirmando que tudo que envolvesse o Brasil será analisado pela sua pasta, com recomendação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
- O governo brasileiro deve retomar a discussão na OMC, possivelmente incluindo temas como minerais críticos e tarifas, na tentativa de sinalizar boa vontade aos americanos.
A Eurasia Group avalia que a retirada do veto brasileiro à prorrogação da moratória global sobre o comércio eletrônico na OMC não será suficiente para atender às exigências dos Estados Unidos. A previsão de Washington aponta para uma probabilidade de 30% a 35% de acordo em nível mais amplo.
Segundo o grupo, o tema tem relevância, mas, isoladamente, não destravará um entendimento entre Brasil e EUA. A avaliação é de que, mesmo com o veto retirado, ainda existirão entraves a serem superados para avanço no diálogo.
O impasse remete à conferência ministerial da OMC realizada em março, em Camarões, quando os EUA defenderam a prorrogação permanente da moratória, que isenta tarifas sobre transmissões eletrônicas. O Brasil e a Turquia manifestaram oposição.
Na prática, a posição brasileira na conferência impediu o acordo, já que as decisões na OMC dependem de consenso. O representante dos EUA sinalizou ruptura após o encontro, o que aumentou o isolamento brasileiro no tema.
A TurquIua não apoiou a posição brasileira ao fim da reunião, e o Brasil passou a ser visto como atrapalhando um acordo para os americanos. No radar de Washington, o Brasil ficou identificado como entrave relevante.
O Brasil deverá discutir a retirada do veto nas próximas reuniões da OMC, buscando sinalizar boa vontade e abrir espaço para negociações. Outros temas, como minerais críticos e tarifas, também podem entrar no debate.
A Eurasia Group reforça ceticismo quanto ao desfecho. A retirada do veto é considerada a maior carta disponível, com baixo custo político, dado o isolamento, mas não suficiente para garantir um acordo.
Ainda segundo o grupo, há obstáculos adicionais, como a relutância brasileira em reduzir tarifas sobre etanol e a ausência de acordo sobre minerais críticos nos moldes desejados pelos EUA. O tema do e-commerce, contudo, é visto como relevante para Washington.
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