- A agência de notícias AFP pediu explicações ao embaixador de Israel na França sobre o que descreveu como um “erro” no ataque a jornalistas no Líbano há mais de dois anos.
- O embaixador israelense, Joshua Zarka, admitiu publicamente que o Exército de Israel esteve por trás do ataque, dizendo que os jornalistas foram atingidos por engano, não por serem jornalistas.
- O ataque ocorreu em 13 de outubro de 2023, no sul do Líbano próximo à fronteira com Israel, e matou o cinegrafista da Reuters Issam Abdallah, além de ferir seis jornalistas, entre eles dois da AFP, com uma amputação de perna de Christina Assi.
- Investigações independentes indicam que dois obuses de tanques israelenses partiram da área de Jordeij, próxima à fronteira, fato corroborado por apuração de outras organizações.
- O Comitê para a Proteção dos Jornalistas e outras ONGs classificam o episódio como possível crime de guerra e pedem transparência, provas e medidas de reparação por parte de Israel.
A AFP pediu explicações ao embaixador de Israel na França após o reconhecimento público, feito por ele, de que o Exército israelense esteve envolvido em um ataque contra jornalistas no Líbano há mais de dois anos. O pedido foi formalizado pelo diretor de informação da agência, que solicitou respostas precisas sobre o que chamou de um erro assumido pelas autoridades israelenses.
O ataque ocorreu em 13 de outubro de 2023, no sul do Líbano, próximo à fronteira com Israel. O cinegrafista da Reuters Issam Abdallah morreu, e seis jornalistas ficaram feridos, entre eles dois da AFP, Dylan Collins e Christina Assi, que teve a perna direita amputada. Israel não reconheceu responsabilidade formalmente, afirmando que o caso ainda estava em análise.
O embaixador israelense na França explicou, em entrevista veiculada pela França Televisões, que houve um erro ao atacar jornalistas, que teriam sido confundidos com terroristas. A AFP afirmou que considera essa declaração o primeiro reconhecimento público de um representante oficial de Israel sobre a participação de forças israelenses nos disparos contra jornalistas identificáveis.
Repercussões e investigações
Uma apuração independente da AFP apontou que dois disparos de obuses de tanques teriam partido da área de Jordeij, na fronteira norte de Israel, muito próxima do Líbano. Investigações internacionais, incluindo as da Reuters, do CPJ, da Human Rights Watch, da Anistia Internacional e da Repórteres sem Fronteiras, corroboraram as conclusões. A AFP questionou as autoridades sobre por que essa posição não foi comunicada diretamente à agência sinalizando a necessidade de respostas formais.
O CPJ qualificou o ataque como possível crime de guerra e ressaltou que a entrevista do embaixador não esclareceu por que jornalistas claramente identificados foram atacados repetidamente. A organização pediu divulgação completa de provas que sustentem a alegação de erro por parte das forças israelenses. O CPJ também destacou que, globalmente, muitos jornalistas morreram em incidentes ligados a Israel, com pouca responsabilização até o momento.
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