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Bolívia prende líderes de protestos contra o governo

Bolívia completa o 36º dia de protestos com mais de oitenta bloqueios e prisões de líderes, ampliando a crise política e o apoio dos EUA ao governo Paz

Manifestantes realizam bloqueios em vias públicas e interrompem o fluxo em estradas do país
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  • Bolívia chega ao 36º dia de protestos contra o presidente Rodrigo Paz, com mais de oitenta bloqueios em rodovias e liderança das manifestações presa.
  • Governo americano, por meio do secretário de Defesa Pete Hegseth, apoia Paz e associa os protestos ao narcotráfico; autoridades bolivianas reforçam a relação com o crime organizado.
  • Entre os detidos estão a ex-senadora Simone Quispe, Justino Apaza e Yesenia Varga; outras ordens de prisão foram posteriormente revogadas pela Justiça.
  • O movimento envolve camponeses, indígenas, professores e mineiros, e cobra a renúncia de Paz; críticos dizem que a nova lei sobre terras favorece o agronegócio e prejudica pequenos proprietários.
  • Os bloqueios provocaram desabastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos; o Congresso derrubou a lei que limitava o estado de exceção e analisa novo projeto do Executivo.

A Bolívia viveu nesta sexta-feira (5 jun 2026) o 36º dia de protestos contra o governo de Rodrigo Paz. Mais de 80 bloqueios em rodovias permaneciam ativos, enquanto líderes das manifestações foram presos. O governo atribui as ações ao crime organizado ligado ao narcotráfico.

Entre os detidos, estão a ex-senadora Simone Quispe, do MAS, Justino Apaza, secretário-executivo da Federação de Conselhos de Bairros de La Paz, e Yesenia Varga, dirigente de uma federação de camponeses de Cochabamba. A Procuradoria pediu ainda a prisão de outros dirigentes, como Vicente Salazar e Mario Argollo. As ordens de prisão foram revogadas pela Justiça.

Os protestos, que reunem camponeses, indígenas, professores e mineiros, ganharam moldes de contestação popular contra a gestão de Paz, que está no poder há seis meses, após quase 20 anos de governos de esquerda. A mobilização começou contra a qualidade do combustível e evoluiu para críticas a uma lei sobre terras.

Ato contínuo, a Administração Boliviana de Rodovias registrou 81 bloqueios em cidades como La Paz, Cochabamba, Potosí, Oruro, Santa Cruz e Chuquisaca. O desabastecimento atingiu combustíveis, alimentos e medicamentos em várias regiões do país.

Desdobramentos legais

Nesta semana, o Congresso derrubou a lei que limitava o estado de exceção e analisa um novo projeto apresentado pelo Executivo. O texto já foi aprovado pelo Senado e está em discussão na Câmara.

Apoio internacional e contexto regional

O anúncio de prisões ocorreu em meio ao apoio do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ao governo Paz. Washington vincula os protestos a atividades narco-terroristas e disse apoiar a Coalizão Contra o Cartel das Américas para dissuadir esse tipo de ação. A relação entre EUA e Bolívia é citada como elemento relevante para o cenário político atual.

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