- Um jornalista dos EUA, Thomas Weir Pauken II, 50, informou à Justiça que atuou como agente ilegal para a República Popular da China.
- Ele morou na China desde 2010 e trabalhou para a China Central Television e a Xinhua News, conforme documentos judiciais.
- Pauken executou tarefas a mando de pessoas ligadas ao governo chinês, de pelo menos 2019 até fevereiro deste ano, incluindo alguém identificado como “Cathy”.
- Recebeu pelo menos US$ 100.000 de “Cathy” e foi orientado a viajar diversas vezes entre 2019 e 2025 para encontrar pessoas nos EUA que pudessem fornecer informações.
- Segundo o FBI, ele coletou informações sobre alvos americanos e as repassou aos interlocutores chineses; o julgamento foi marcado para 1º de setembro, com pena máxima de até 10 anos.
Thomas Weir Pauken II, um jornalista dos EUA residente na China há mais de uma década, se declarou culpado em tribunal americano por atuar como agente ilegal para a República Popular da China (RPC). A admissão ocorreu em Alexandria, Virgínia, durante uma audiência em que ficou evidente o envolvimento dele em uma conspiração para obter informações sensíveis do governo dos EUA para a China.
Segundo o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), Pauken admitiu ter feito parte de uma conspiração destinada a coletar informações confidenciais do governo norte‑americano, sob orientação de pessoas ligadas à RPC. As informações foram apresentadas em documentos judiciais que detalham a atuação desde 2019 até fevereiro deste ano.
Pauken passou a trabalhar para várias organizações de mídia na China, incluindo a China Central Television e a Xinhua News, atuando sob direção de indivíduos com vínculos com o governo chinês. Entre os seus contatos está uma pessoa identificada como “Cathy”, que o abastecia com tarefas, inclusive para encontrar potenciais ativos de inteligência.
A relação entre Pauken e “Cathy” começou em 2017, conforme registros do DOJ, quando foi promovida por um assessor de discurso do presidente chinês Xi Jinping, ligado ao contexto das tensões comerciais entre EUA e China na época. O DOJ afirmou que o jornalista recebeu ao menos 100 mil dólares por seus serviços.
Entre 2019 e 2025, Pauken teria viajado várias vezes para encontrar pessoas nos EUA que pudessem fornecer informações a serem repassadas à RPC. A investigação afirma que ele coletou inteligência sobre alvos americanos e encaminhou os relatos a interlocutores de origem chinesa, segundo o FBI.
A denúncia aponta ainda que Pauken trabalhou com outras duas pessoas na China, identificadas como “William” e “Richard”. Eles teriam indicado que os relatos enviados por Pauken eram encaminhados também para o Japão. Os investigados também teriam solicitado informações para facilitar espionagem cibernética.
Além disso, Pauken repassou informações sobre o Departamento de Justiça dos EUA e sobre tecnologia a um grupo em Wuhan, além de buscar apoio para encontrar um especialista que contribuísse com atividades de espionagem cibernética.
Após a audiência, o advogado de Pauken, Charles Burnham, disse a veículos de imprensa que o réu reconhece a responsabilidade e busca promover relações pacíficas e a defesa da liberdade religiosa na China, conforme declaração ao Politico.
O réu deverá ser sentenciado em 1º de setembro, podendo cumprir até 10 anos de prisão, conforme a acusação. O caso demonstra a atuação contínua de entidades ligadas à RPC para influenciar ou obter informações estratégicas no território americano.
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