- Ivanka Trump e Jared Kushner estão ligando-se a um projeto de resort de luxo em uma ilha privada de 1.400 hectares no Mediterrâneo, com cerca de oito quilômetros de litoral na Albânia.
- Parte do empreendimento fica em área natural protegida na costa em frente à ilha, na paisagem protegida Vjosa–Narta, onde há preocupação com espécies como focas-monge, tartarugas e flamingos.
- Manifestações em Tirana acusam danos à paisagem e a ambientalistas relatam obras sem licenças, com máquinas removendo areia da praia e cascalho sendo espalhado.
- O primeiro-ministro diz que o projeto ainda não começou oficialmente e que o impacto ambiental está sendo avaliado; a mudança de lei ambiental de 2024 facilita resorts de luxo em áreas protegidas, gerando atrito com a União Europeia.
- Investidores incluem a Sazan Real Estate Development LLC; há investigação anticorrupção em curso (SPAK) e críticas sobre potenciais conflitos de interesse envolvendo Kushner.
Ivanka Trump planeja abrir um resort de luxo na Albânia, em área próxima a uma ilha privada no Mediterrâneo. O projeto envolve parte da costa albanesa, com oito quilômetros de litoral destinados a hotéis e áreas de lazer, segundo a empresária.
A iniciativa é apoiada por Ivanka Trump e por Jared Kushner, seu marido. A área eleita fica em frente à Ilha de Sazan, antiga base militar, e se estende até a faixa de praia intocada de Pishë Poro-Narta, dentro da Paisagem Protegida Vjosa–Narta.
A notícia gerou protestos em Tirana, com manifestantes simulando o uso de flamingos na sinalização de danos ambientais. Ambientalistas questionam a ausência de licenças e da fiscalização, apontando que as obras ocorrem sem sinalização clara de responsáveis.
Mudança regulatória e contexto ambiental
A discussão ganha dimensão pela alteração na legislação ambiental de 2024, que abriu espaço para resorts de luxo em áreas protegidas, desde que atendam a requisitos específicos. Grupos de conservação afirmam que a norma facilita investimentos privados em locais sensíveis.
O governo albanês sustenta que o projeto ainda não começou oficialmente e que o impacto ambiental está sendo avaliado. O premiê Edi Rama disse que a avaliação está em andamento e que o desenvolvimento costeiro deve conciliar economia e natureza.
A CNN apurou que a empresa Sazan Real Estate Development LLC, ligada aos Kushner, participa do empreendimento com investidores de vários países. A assessoria ressaltou que o projeto envolve gestão ambiental, empregos e valor local, conforme o esforço conjunto.
Reação internacional e investigação
O Comité da União Europeia manifestou preocupação com possíveis falhas de licenciamento e com impactos em áreas protegidas. Autoridades da UE destacaram que o Ministério do Meio Ambiente da Albânia se comprometeu a suspender obras, enquanto investigações anticorrupção (SPAK) foram iniciadas.
Organizações ambientais e especialistas destacam que a coexistência entre desenvolvimento e preservação é possível apenas com licenças claras e fiscalização rígida. Biólogos ressaltam que a ocupação de áreas úmidas pode afetar habitats de espécies como aves migratórias, tartarugas e focas.
Manifestantes seguem buscando transparência e acesso público a licenças. Grupos ambientais enfatizam a necessidade de proteção do litoral preservado e de planejamento que respeite a biodiversidade local, sem prejudicar comunidades.
O que se sabe sobre o projeto
A área de Sazan representa a primeira etapa do empreendimento, com planos para explorar praias e áreas de lazer adjacentes. A segunda área envolve a faixa de praia em Pishë Poro-Narta, dentro da área protegida, onde habitats sensíveis são observados.
Ivanka Trump descreveu o projeto como uma ilha privada grandiosa e sinalizou concessões para desenvolver resorts, hotéis e espaços de bem-estar, mantendo o objetivo de criar uma “comunidade” integrada ao local. O grupo investidor afirmou ouvir o público e seguir processos institucionais.
A Albânia já recebeu críticas por acelerar grandes projetos sem transparência suficiente. Comentários de especialistas ressaltam a responsabilidade de proteger ambientes frágeis, especialmente em zonas úmidas e de nidificação de espécies.
Fontes da CNN indicaram que reservas legais, licenças e autorizações ainda não foram apresentadas ao público, dificultando a confirmação de detalhes sobre número de edificações e a localização exata dentro da área protegida.
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