- 450 famílias na República Dominicana pedem realocação da comunidade por riscos de poluição associada à mina de ouro Pueblo Viejo, operada pela Barrick Mining (60%) e Newmont (40%).
- O escritório canadense Ombudsperson for Responsible Enterprise (CORE) está sem ombudsperson desde maio de 2025, o que mantém decisões de casos em suspenso.
- O CORE afirma que continua recebendo reclamações, mas adianta que as decisões ficam pendentes até a nomeação de um novo ombudsperson; há 24 reclamações ativas no momento.
- Críticos e organizações de defesa dizem que a vacância prejudica mecanismos de responsabilização de empresas canadenses no exterior, em um momento de maior atividade de mineração.
- Barrick nega responsabilidade pela contaminação da água, dizendo que as comunidades ficam a montante da mina e que o dam de rejeitos não representa risco, enquanto defensores citam falta de testes de água independentes.
Leoncia Ramos vive na República Dominicana, na cidade de La Piñita, e diz temer pela própria saúde. Ela integra um grupo de 450 famílias que pede relocation da comunidade devido à poluição associada à mina de ouro Pueblo Viejo, administrada pela Barrick Mining Corp. e parceira Newmont.
As famílias afirmam que a mina contamina água e solo, e temem que o rompimento de uma barragem de rejeitos a cerca de 1 km possa causar desastre ambiental e humanitário. O pedido é de transferência de moradia e compensação adequada.
A Pueblo Viejo fica na região de La Romana; a operação é controlada pela Barrick (60%) e pela Newmont (40%). O grupo sustenta que a poluição compromete cultivo, água para consumo e atividades domésticas, prejudicando a saúde pública local.
CORE em vaga e impactos
A Organização Ombudsman de Empresas Responsáveis (CORE) no Canadá foi criada em 2019 para tratar queixas de comunidades afetadas por empresas canadenses no exterior. Atualmente, o cargo de ombudsperson está vago desde maio de 2025.
Autoridades canadenses afirmam buscar novo líder para o CORE, mas a vacância mantém centenas de casos em andamento e impede decisões rápidas em litígios com mineradoras canadenses. O CORE informa ter 24 casos ativos.
Especialistas de watchdogs como Mining Watch Canada dizem que o trabalho do CORE está parado. Observam que sem autoridade para compelir documentos ou testemunhas, o órgão perde efetividade.
Reclamações e prazos
Entre as queixas, uma apresentada em 2024 pela International Human Rights Program, ligada à Universidade de Toronto, envolve ReconAfrica, operação de petróleo e gás na Namíbia. O caso aponta violação de direitos indígenas e riscos à água potável.
O CORE afirma que está recebendo novas queixas, mas não divulga números desde 2024. Em relatórios anteriores, havia dezenas de casos em intake, avaliação inicial e investigação, sem conclusões no fim de 2024.
Advogados observam que, sem uma estrutura independente no Canadá, comunidades afetadas enfrentam múltiplos entraves ao buscar reparação, inclusive quando optam pela via judicial no exterior. Barrick argumenta que opera com respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente.
Contexto internacional e futuro
O setor de mineração representa parte relevante da economia canadense, com forte presença internacional. Organizações da sociedade civil defendem maior oversight das operações no exterior e maior independência do CORE.
Ainda não há conclusão sobre reformas ou novas nomeações para o ombudsperson. Autoridades afirmam que o governo avalia medidas para tornar o CORE mais eficaz e independente, alinhadas a recomendações de organismos internacionais.
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