- O CREA aponta que a China mudou a definição de intensidade de carbono, omitindo cerca de metade do aumento das emissões entre 2020 e 2025, o que equivale a cerca de 700 milhões de toneladas de CO₂ por ano.
- Com o novo escopo, emissões absolutas ainda sobem no período, mesmo com queda na intensidade; em 2025, a China queimou 3,17 bilhões de toneladas de carvão.
- O ajuste ocorre no contexto do 15º Plano Quinquenal, que prevê queda de 17% na intensidade de carbono entre 2026 e 2030, abaixo dos 18% estimados anteriormente.
- O CREA sustenta que a mudança enfraquece as metas climáticas e cria incerteza, mas afirma que não houve falsificação de números; a China não tornou pública a fórmula exata de cálculo.
- A controvérsia destaca questões de transparência na contabilidade de emissões e tem impactos globais, especialmente com o aumento da importância de métricas e auditorias internacionais.
O uso de uma métrica alterada fez parecer que a China reduziu mais as emissões por unidade de PIB do que realmente ocorreu, sem falsificação de dados. A mudança, discutida por CREa, aponta que a intensidade de carbono ganhou uma nova definição que exclui usos não energéticos de fósseis e inclui emissões de processos industriais.
Segundo o CREA, o método revisado reduziu a queda da intensidade de carbono de 12,4% para 17,7% entre 2020 e 2025, o que altera a leitura sobre o cumprimento de metas do Acordo de Paris. Em termos absolutos, as emissões ainda aumentaram, mas em menor ritmo, após a mudança de escopo.
O documento em análise é o esboço do 15º Plano Quinquenal chinês, divulgado em março. Pesquisadores tentaram reconstruir a fórmula de cálculo a partir dos dados oficiais de emissões e PIB, sem ter acesso público à metodologia completa.
A mudança de escopo passou a incluir emissões de processos industriais e a excluir usos não energéticos de combustíveis fósseis, como na indústria química. O ajuste eleva o desafio de comparar séries históricas com padrões internacionais de transparência.
Em 2025, a China queimou 3,17 bilhões de toneladas de carvão, volume que evidencia a continuidade do uso de combustíveis fósseis apesar do avanço em renováveis. O 15º Plano Quinquenal também indica metas para reduzir a intensidade de carbono, com um patamar menor que o anterior.
O CREA aponta que a revisão pode tornar o objetivo de pico de emissões antes de 2030 mais difícil de verificar na prática, mesmo mantendo o compromisso formal. A instituição ressalta que a diferença essencial está na divulgação e auditoria externa da metodologia.
Analistas destacam que revisões históricas de inventários são comuns no mundo todo, mas a China não tornou pública a fórmula nem abriu para verificação por pares, diferentemente de padrões adotados pelo IPCC. A discussão amplia o debate sobre transparência climática.
A polêmica ocorre em meio a tensões diplomáticas sobre clima e energia. Enquanto líderes chineses ressaltam avanços em renováveis, especialistas lembram a dependência contínua do carvão para sustentar a economia.
O tema também tem implicações comerciais, especialmente com o novo CBAM da União Europeia, que exige certificados de carbono para importações. Com maior clareza metodológica, outros países podem comparar melhor seus progressos.
Frente a esse cenário, o SEEG destaca que a transparência de dados é crucial para avaliações independentes. Em 2024, as emissões reais caíram substancialmente no Brasil, incluindo variações em áreas como uso da terra, que não entram no inventário oficial.
A discrepância entre China e Brasil, nesse aspecto, está justamente na disponibilidade de dados públicos e auditáveis. A forma como cada país mede e divulga emissões continua a influenciar debates globais sobre metas de descarbonização.
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