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Cias. aéreas apontam progresso modesto nas metas de descarbonização

Descarbonização avança lentamente; SAF cobrirá 0,8% da demanda neste ano, enquanto políticas públicas dificultam avanços do CORSIA

Avião da easyJet taxiando no aeroporto Charles de Gaulle, perto de Paris, França - 30/04/2026 (Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes)
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  • Produção global de SAF crescerá de 1 milhão de toneladas em 2024 para 1,9 milhão em 2025 e deve chegar a 2,4 milhões até o fim deste ano, representando 0,8% das necessidades de combustível das companhias aéreas.
  • A meta é chegar a 65% de descarbonização até 2050, ou cerca de 500 milhões de toneladas, mas o ritmo atual não fecha essa lacuna.
  • Mais de 180 acordos de compra de SAF foram assinados desde 2021, mas a oferta segue aquém da demanda e vários projetos no exterior foram cancelados ou reduzidos.
  • A IATA recomenda usar incentivos (não apenas mandatos) para estimular a produção de SAF, destacando efeitos positivos de créditos tributários de produção; mandatos sozinhos elevam preços sem aumentar oferta.
  • O setor considera o programa CORSIA, que mede emissões, ameaçado pela falta de alinhamento entre governos e a baixa disponibilidade de Unidades Elegíveis de Emissões (EEUs), com apenas 10 países fornecendo EEUs até hoje.

A produção global de SAF, combustível sustentável de aviação, subiu de 1 milhão de toneladas em 2024 para 1,9 milhão em 2025, com previsão de chegar a 2,4 milhões até o fim deste ano. Mesmo assim, a oferta atenderá apenas 0,8% das necessidades das companhias. O avanço é visto como tímido frente às metas de descarbonização até 2050.

O presidente da IATA, Willie Walsh, lembrou que a meta é chegar a 65% da demanda, ou 500 milhões de toneladas, até 2050. Segundo ele, a lacuna entre demanda e oferta continua aberta, apesar de mais de 180 acordos de compra assinados desde 2021. Também mencionou que mecanismos de contabilização já existem para apoiar o mercado global de SAF.

A relação entre políticas públicas e incentivos foi apontada como crucial. Walsh disse que, em alguns países, incentivos venceram regras obrigatórias, elevando a produção, enquanto mandatos sozinhos apenas elevaram preços sem aumentar a oferta. Brasil tem potencial para SAF, mas precisa alinhar políticas para avançar.

Acordos e políticas sob tensão

A IATA destacou que projetos de SAF foram cancelados ou reduzidos na Suécia, Holanda, Alemanha, Espanha, Dinamarca, Reino Unido e Singapura, prejudicando o ritmo de expansão. A organização sugeriu que os governos foquem em uma ordem de atuação: primeiros incentivos, depois mandatos, para estimular a produção.

Quanto ao CORSIA, o acordo setorial de compensação de emissões, a IATA afirmou que a implementação depende de alinhamento entre governos e acordos internacionais. Segundo Walsh, entre 170 e 236 milhões de EEUs são necessários para a primeira fase, e apenas 10 países disponibilizaram EEUs. A Guiana foi pioneira na região, com participação de seis países na África e outros na Ásia, somando 38 milhões de EEUs até o momento.

A avaliação é que os recursos de financiamento climático — entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões — podem induzir mudanças maiores se houver alinhamento interno dos governos. A IATA também alertou sobre ataques da União Europeia ao CORSIA, sugerindo que a iniciativa desempenhou papel relevante no passado e precisa ser preservada.

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