- Cerca de 13 kg de urânio altamente enriquecido foram enviados da Venezuela aos Estados Unidos em uma operação sigilosa, ocorrida entre Ivic, perto de Caracas, e o porto de Puerto Cabello, no estado Carabobo.
- A transferência envolveu governos da Venezuela, dos Estados Unidos e do Reino Unido, além da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), com o material sendo transportado até o complexo de Savannah River, na Carolina do Sul.
- O urânio era combustível do RV-1, o primeiro reator nuclear da América Latina, instalado na década de 1960 no Instituto Venezuelano de Pesquisas Científicas; o reator operou como planta de pesquisa até 1991 e foi desativado definitivamente em 1997.
- A operação foi planejada com envolvimento da Aiea e, segundo autoridades britânicas, também do Reino Unido, com o transporte do urânio em navio da divisão Nuclear Decommissioning Authority (NDA) e escolta por forças navais.
- A ação, anunciada no começo de maio, é descrita como parte de um esforço internacional para evitar que urânio altamente enriquecido caia em mãos inadequadas, vendendo-se o material para usos pacíficos ou de pesquisa.
Em uma operação sigilosa, Venezuela enviou aos Estados Unidos cerca de 13 kg de urânio altamente enriquecido (HEU). O material partiu de Caracas, no início de abril, em direção ao complexo de Savannah River, na Carolina do Sul. A ação envolveu coordenação entre Venezuela, EUA, Reino Unido e a AIEA.
Segundo as autoridades, o HEU foi transportado em um contêiner protegido por escolta e em um comboio que percorreu 160 km entre o Ivic, nos arredores de Caracas, e o porto de Puerto Cabello, no Estado de Carabobo. A oper ação foi conduzida com rigorosas medidas de segurança, para evitar riscos de proliferação.
A AIEA descreveu a missão como planejada minuciosamente, com supervisão técnica e salvaguardas para evitar uso inadequado do material. Oficiais britânicos, americanos e venezuelanos declararam que o envio foi necessário para eliminar o risco de que o HEU fosse adquirido por atores não estatais.
O material, originário do uso no RV-1, primeiro reator nuclear da América Latina, instal ado no Ivic na década de 1960, tinha combustível vindo dos EUA e do Reino Unido. O RV-1 operou como reator de pesquisa até 1991 e, posteriormente, foi convertido para esterilização de instrumentos.
Autores britânicos afirmaram que a retirada do combustível foi solicitada pela Venezuela em 2017, com apoio da AIEA desde 2018. A captura do presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, foi citada como fator que elevou o risco e acelerou a operação.
A operação contou com a participação da NNSA (US National Nuclear Security Administration), da AIEA e das autoridades britânicas, além de apoio venezuelano. O navio Pacific Egret levou o HEU para o porto de Savannah River, onde o material passa por processamento e armazenamento.
Imagens de satélite mostraram o transporte após deixar Puerto Cabello, com registro de retorno aos EUA na primeira semana de maio. O governo dos EUA informou que, até o início de maio, foram retirados ou eliminados mais de 7.340 kg de material nuclear de uso militar.
A AIEA reiterou que, em muitos reatores de pesquisa, o HEU foi substituído por urânio pouco enriquecido (LEU), reduzindo riscos de proliferação. A agência aponta que mais de uma centena de instalações já adotaram LEU no lugar de HEU.
Com informações da BBC Verify, o acordo demonstra cooperação internacional para reduzir estoques de HEU. O objetivo é evitar que material nuclear usado para pesquisas caia em mãos inadequadas, mantendo o foco em usos pacíficos da energia atômica.
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