- Pai de vítima de abusos na escola católica da Opus Dei em Leioa critica a exclusão de organizações de vítimas do encontro com o papa Leão XIV, durante a visita de Robert Prevost a Madri.
- Filho de Juan Cuatrecasas tinha treze anos na época do abuso; ele acusa a Igreja de silenciar defensores das vítimas e aponta iniciativas consideradas fracassadas, como o Plano Priva e o Programa Repara.
- Famílias e vítimas dizem que não foram convidadas para o encontro com o papa; a reunião deve ocorrer na segunda-feira, 8 de junho, na agenda da visita de Prevost.
- Cuatrecasas afirma que autoridades eclesiásticas substituíram as vozes das vítimas por uma narrativa controlada e critica a conferência episcopal espanhola e o acordo de indenização com o Estado.
- Relato que após o abuso a família precisou mudar de região; houve condenação em Bilbao reduzida depois, e hoje o filho tem 28 anos com vida estável, mas outras vítimas não tiveram a mesma sorte.
O pai de uma vítima de abusos sexuais cometidos por um numerário da Opus Dei em Leioa, Espanha, Juan Cuatrecasas, afirmou ao Correio que a Igreja espanhola teria apresentado o relato da família de forma incompleta a Leão XIV durante a visita do pontífice. O caso envolve uma escola católica da ordem.
O filho, que tinha 13 anos na época, foi vítima de violência sexual. Cuatrecasas criticou a atuação da Igreja com as vítimas, citando dois programas, o Plano Priva e o Programa Repara, como insuficientes diante da dimensão do problema.
Além disso, pai e outras vítimas contestaram não ter sido convidados para o encontro que Leão XIV deve realizar nesta segunda-feira, 8 de junho, durante a agenda da visita de Robert Prevost a Madri.
Cuatrecasas afirmou que as autoridades eclesiásticas teriam silenciado as associações de sobreviventes, substituindo-as por uma versão controlada da realidade, segundo ele. Também criticou a relação entre a Igreja e o Estado para reparação das vítimas.
O porta-voz destaca a suposta falha de comunicação sobre o encontro entre o papa e as vítimas, alegando que não havia confirmação prévia de reunião e que apenas vítimas que aceitassem um plano de reparação da Arquidiocese de Madrid teriam direito ao encontro.
O ativista relatou ainda que, após o abuso, a família precisou mudar de região devido a ameaças. Segundo ele, houve condenação de 11 anos em primeira instância, em Bilbao, que acabou reduzida para dois anos, alegando que o agressor era sobrinho de um político de alto escalão.
Cuatrecasas encerrou dizendo que, apesar de o filho ter seguido adiante, estudado direito e feito mestrado, outras vítimas não tiveram a mesma sorte, ressaltando a complexidade do contexto de abusos e reparação na Igreja.
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