- Há pouco mais de cem dias, o Irã vive guerra e o regime tenta apresentar coesão, mas enfrenta grave crise econômica, repressão mais intensa e descontentamento social.
- Ataques mútuos: o Irã lançou retaliação com mísseis e drones; Teerã fechou o Estreito de Ormuz, rota-chave para exportações de petróleo e gás.
- Um cessar-fogo frágil entrou em vigor há dois meses, mas mostrou falhas, com novos ataques entre Irã e Israel nas últimas horas.
- A pandemia econômica se agrava: inflação acima de cinquenta por cento e salário mínimo baixo, deixando milhões sem sustento; dezenas de milhares de empregos perdidos.
- Prisões em massa e restrições digitais: mais de seis mil pessoas presas desde o início dos ataques, com internet parcialmente restabelecida apenas no fim de maio, enquanto execuções passam a chamar atenção.
Após 100 dias de conflito, o regime iraniano mantém coesão e controle, mas enfrenta penúria social e repressão ampliada. Estados Unidos e Israel teriam lançado uma ofensiva conjunta há pouco mais de três meses, atingindo alvos no Irã.
As forças armadas iranianas teriam sofrido destruição de instalações-chave, e o líder supremo seria morto, junto de altos dirigentes. A Assembleia dos Peritos do Irã teria escolhido Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como novo líder supremo. Teerã respondeu com retaliação, incluindo ataques a Israel e a bases americanas na região do Golfo.
O Irã também fechou o Estreito de Ormuz, importante rota de exportação de petróleo e gás. A medida interrompeu parte do fluxo de comércio internacional, elevando tensões na região.
Paz frágil, estruturas de poder resilientes
Um cessar-fogo parcial entrou em vigor há dois meses, em 8 de abril, reduzindo as hostilidades. Contudo, a trégua apresenta várias fissuras. Nesta segunda-feira, as Forças de Defesa de Israel anunciaram ataques a alvos no Irã, após o Irã ter reagido com mísseis contra Israel.
Especialista em Irã destaca que não houve mudanças estruturais profundas na República Islâmica nos 100 dias. A comparação com o período anterior mostra divisões entre elites políticas e um distanciamento estado-sociedade que vinha aumentando, mesmo antes do conflito.
Ele aponta que a guerra permitiu, de certo modo, reduzir tensões entre elites, mas não resolve problemas de legitimidade, eficácia e distribuição de riqueza. A consolidação de poder é vista como temporária e sujeita a reavaliação conforme securitização diminui.
Reações internas e pressão social
Movimentos de apoio ao regime reúnem-se em cidades e vilas há mais de três meses, buscando evidenciar lealdade. Moradores relatam barulho e interrupções no cotidiano em áreas urbanas como Teerã.
Ativistas de direitos das mulheres mencionam que tais encontros servem para demonstrar controle sobre as ruas após repressões a protestos de janeiro. Relatos indicam revolta contínua entre setores da população, com famílias afetadas pela violência e pela repressão.
Entre descontentamentos, organizações de direitos humanos apontam prisões arbitrárias de manifestantes, jornalistas e dissidentes desde o início dos ataques. Dados de organizações internacionais indicam prisões e, em alguns casos, penas de décadas de prisão.
Acesso à internet permaneceu com limitações em parte do período, e o fluxo de informações ao exterior segue dificultado. Relatos de ativistas descrevem detenções relacionadas a publicações em redes sociais e fiscalização constante em postos de controle.
Impactos econômicos e sociais
A pobreza avançou com a intensificação do conflito, derrubando empregos e elevando a inflação acima de 50%. O salário mínimo continua abaixo de 100 dólares mensais, dificultando a aquisição de serviços básicos.
Dezenas de milhares de empregos foram perdidos desde fevereiro, e milhares de trabalhadores ainda temem pelo sustento. A situação econômica agrava tensões sociais e políticas no país. Crédito a organizações internacionais aponta para deterioração de condições de vida e crescente insatisfação.
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