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Nigerianos adotam cães como animais de estimação

Mudança de percepção em Lagos: cães deixam de ser guardas ou comida e passam a serem companheiros, impulsionada por ativismo animal e bem-estar

Jackie Idimogu, an anti-animal cruelty campaigner and founder of My Dog and I, poses with her pets in Lekki, just outside Lagos. She says trying to shift Nigerians’ attitudes to dogs is ‘about progress, not rejection’ of tradition.
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  • Em Lagos, Nigéria, cães passam a ser vistos cada vez mais como animais de estimação; exemplos são Izien Aigbodion e seus três cães que saem para passear aos fins de semana.
  • Tradicionalmente, cães são usados como guardiões ou consumidos como carne em mercados, com carne vendida entre £13 e £25 por quilo.
  • Movimentos de bem-estar animal, liderados por ativistas como Jackie Idimogu e veterinário Dr. Mark Ofua, promovem posse responsável e eventos como o Lagos Dog Carnival.
  • A prática da carne de cão está ligada a redes informais de comércio e traz riscos sanitários, como raiva, com leis existentes pouco aplicadas.
  • Há aumento na adoção de cães por jovens, crescimento de abrigos e grupos de adoção online, além de iniciativas de terapia com cães em cidades como Lagos e Abuja, sinalizando mudança de percepção por meio do contato direto.

O caso em Lagos mostra uma mudança de cenário: cães passam a ser vistos como animais de companhia, não apenas como guardiões ou fonte de alimento. A rotina de fim de semana de Izien Aigbodion com seus três cães revela uma nova dinâmica de convivência na cidade.

Aigbodion, de 36 anos, caminha com um poodle e dois chow chows pela vizinhança, acompanhado pela esposa Jife. Segundo ele, moradores param para observar, oferecer carinho e entender o comportamento dos animais, antes vistos como pouco emocionais.

Para muitos nigerianos, a carne de cachorro, recorde histórico em feiras e em alguns restaurantes, é parte da cultura local. Contudo, a percepção sobre o tema começa a mudar diante de relatos de bem-estar animal e de iniciativas de educação.

Mudança de percepção

Lagos e outras cidades passam a abrigar organizações de defesa animal e campanhas pela posse responsável de pets. A líder do My Dog and I, Jackie Idimogu, organiza eventos para promover o convívio humano com cães, sem rejeitar tradições.

Vets como Mark Ofua, fundador da St Mark’s Animal Rescue Foundation, destacam a importância de cuidados veterinários e de medidas de saúde pública. Autoridades locais acompanham a discussão sobre bem-estar animal e zoonoses.

A influenciar o avanço estão também evidências de impacto positivo na saúde pública e na biodiversidade. Identificar vínculos entre cães como pets e redução de práticas cruéis ganha apoio de especialistas.

O movimento não propõe abandonar tradições, mas desenvolver uma relação mais compassiva com os animais. A ideia é transformar a guarda, o cuidado e o respeito em pilares do convívio humano.

Profissionais como Sunday Agbonika, fundador de iniciativas terapêuticas com cães, relatam benefícios psicológicos para crianças com necessidades especiais. O uso de cães de apoio tem ganhado espaço em Abuja e outras regiões.

O interesse por adoção, abrigo e treinamento de cães cresce entre jovens e famílias. Grupos de adoção on-line e abrigos já associam aumento no interesse a mudanças culturais e educativas.

As iniciativas também ressaltam desafios: mercados informais, práticas de abate e risco de zoonoses. Especialistas destacam a necessidade de fiscalização, educação e alternativas econômicas para quem vive da venda de carne.

No conjunto, a relação entre humanos e cães na Nigéria tende a se aprofundar. O diálogo entre ativismo, ciência veterinária e tradições locais sinaliza uma transformação que vai além do simples ato de ter um animal de estimação.

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