- O papa Leão XIV discursou pela primeira vez no Congresso espanhol, alertando que o mundo vive uma crise profunda causada por conflitos, polarização e desrespeito aos direitos humanos.
- Disse que as armas não constroem paz duradoura e pediu que políticos foquem em encerrar guerras e ajudar imigrantes, criticando o aumento de gastos militares na Europa.
- Reuniu-se com seis vítimas de abuso sexual praticado por membros do clero e pediu reparações, citando um relatório de 2023 que aponta centenas de milhares de vítimas no país.
- Abordou a migração, destacando as mortes de mais de 3.000 pessoas em 2025 nas Ilhas Canárias e mencionou o programa espanhol de anistia para regularização de cerca de 500 mil imigrantes.
- Conclamou a vigilância ética da inteligência artificial, defendeu a proteção da liberdade religiosa e o sigilo da confissão católica.
O Papa Leão XIV discursou ao Congresso da Espanha nesta segunda-feira, 8, em Madri, em sua primeira participação de um pontífice no Parlamento espanhol. O tema central foi a crise global, evidenciada pela escalada de conflitos, polarização e violação de direitos humanos, com apelo a reduzir gastos militares.
O Papa criticou a militarização europeia e pediu que os políticos foquem em acabar guerras e proteger imigrantes. Em seu discurso, afirmou que a paz verdadeira não nasce do silêncio imposto, mas da justiça e da proteção às vidas vulneráveis.
Leão XIV participou de um apoio histórico, recebendo aplausos de pé de parlamentares espanhóis. Antes, reuniu-se com seis vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero e cobrou reparações para restaurar a credibilidade da Igreja local.
O pontífice destacou que o mundo enfrenta uma crise espiritual e cultural marcada pela violência e pela desconfiança. A fala ocorreu no mesmo dia em que Israel e Irã intensificaram ataques, testando a viabilidade de um cessar-fogo.
Dados de 2023 do Provedor de Direitos Humanos da Espanha indicam centenas de milhares de vítimas de abusos clericais no país ao longo de décadas, reforçando o foco do Papa em responsabilização e reparação.
Ele enfatizou que a ética na migratória exige soluções que vão além da gestão de fluxos, apontando guerras, pobreza e mudanças climáticas como causas das migrações forçadas.
Leão XIV ressaltou que a grandeza de uma nação se mede pela proteção às vidas mais frágeis e pela defesa da liberdade religiosa, mantendo o sigilo da confissão como espaço de liberdade interior.
O Papa pediu vigilância ética sobre o uso da inteligência artificial em contextos de guerra, e criticou o aumento dos gastos militares europeus, considerado pela Igreja uma ameaça ao diálogo diplomático.
Durante a visita, o líder religioso também ressaltou a necessidade de diálogo entre Igreja e Estado, defendendo liberdade religiosa e a proteção do sigilo da confissão, tema em debate na França e em outros países.
Contexto migratório e ações espanholas
O governo espanhol anunciou recentemente medida de anistia para cerca de 500 mil imigrantes, permitindo regularização de parte das residências no país. A decisão visa reduzir irregularidades e facilitar a integração.
Abusos religiosos e reparação
Relatos de abusos envolvendo clero foram visitados pelo Papa, que pediu passos concretos para reparação às vítimas, como forma de restaurar a credibilidade institucional e a confiança pública.
Segurança, IA e diplomacia
Leão XIV também alertou para riscos éticos da IA em cenários bélicos e reforçou que políticas públicas devem buscar a paz e a proteção aos mais vulneráveis, alinhadas à ética internacional.
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