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Preso por denunciar maus-tratos a trabalhadores na Copa do Mundo do Catar

Ex-gerente de mídia do Comitê Supremo da Copa de 2022 no Qatar, preso por denunciar condições de trabalhadores; hoje, teve o passaporte confiscado e segue punido

Abdullah Ibhais: ‘Four years on, I thought I would be free to speak about what happened to workers and me at the Qatar tournament. I was wrong.’ Photograph: Asmahan Bkerat/The Guardian
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  • Abdullah Ibhais, ex‑gerente de mídia do Comitê Supremo para a Entrega e Legado, foi preso no Catar após falar sobre o tratamento de trabalhadores na Copa do Mundo de 2022; foi condenado por corrupção a três anos e meio de prisão.
  • Ele relata que trabalhadores migrantes recebiam salários baixos, ficavam sem comida e água enquanto ajudavam a erguer estádios para o Mundial, cuja organização ficou sob a responsabilidade do comitê anfitrião.
  • Ibhais foi acusado de divulgar segredos de defesa e de conspirar com países estrangeiros; a Organização das Nações Unidas informou que sua detenção foi arbitrária e o julgamento injusto.
  • Recentemente, teve o passaporte confiscado ao chegar a Amã, na Jordânia, e foi orientado por autoridades de inteligência a não mencionar o Qatar 2022 sob pena de nova prisão.
  • O Catar afirma que Ibhais foi preso por solicitação de subornos, não por denunciar más condições de trabalho; a Fifa não interveio no caso, e Ibhais continua defendendo a divulgação da verdade sobre as condições dos trabalhadores.

Abdullah Ibhais, ex-gerente de mídia da Supreme Committee for Delivery & Legacy, afirma ter sido preso por denunciar condições de trabalhadores na Copa do Mundo de 2022 no Qatar. O caso resultou em uma pena de três anos e meio de prisão. Ibhais relata ter sido pressionado a distorcer informações sobre as greves. A denúncia também aponta irregularidades no processo.

Segundo Ibhais, trabalhadores migrantes em Al-Shahaniyah, nas proximidades de Doha, sofriam com salários atrasados, fome e falta de água. Ele descreve que as obras da Copa beneficiavam grandes clubes e seleções, mas com custo humano elevado para os operários.

Em 2017-2021, Ibhais afirma ter recebido ordens de órgãos oficiais para apresentar uma narrativa favorável à organização, minimizando denúncias de violação de direitos. O detido alega ter sido acusado de corrupção e de violar segredos de defesa, após se recusar a silenciar informações sobre o trabalho humano.

Contexto internacional e desdobramentos

Ibhais foi detido no Qatar e, segundo ele, teve a sentença proferida sem julgamento justo. O Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detention informou em 2024 que a detenção foi arbitrária e o julgamento inadequado. A FIFA, segundo o relato, não interveio no caso, mantendo posição de não comentar a prisão.

Recentemente, Ibhais teve o passaporte apreendido ao tentar viajar para se apresentar em eventos globais. Seguiu-se uma instrução de autoridades jordanianas para interromper manifestações públicas sobre o tema. O caso ocorre em meio a críticas sobre as condições de trabalho envolvendo a organização da Copa de 2022.

Ibhais sustenta que não é figura política nem pessoa influente; afirma apenas ter coragem de expor realidades de trabalhadores migrantes. A reportagem não pode confirmar todas as alegações sem novas fontes oficiais, mas aponta que o tema envolve direitos trabalhistas, transparência e a responsabilidade de organismos internacionais.

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