- O príncipe Mohammed bin Salman lançou, há cerca de dez anos, a Visão 2030 para diversificar a economia saudita, com megaprojetos ligados a Neom e tecnologias futuras.
- A forte queda dos preços do petróleo, antes da guerra no Oriente Médio, reduziu a riqueza do país e atrasou ou freou esses investimentos.
- Projetos ambiciosos foram diluídos, paralisados ou abandonados, como The Line, Trojena, The Cube e o circuito LIV Golf.
- As autoridades passaram a mirar vitórias menores e mais realistas, promovendo novidades como Sindalah e a renovação de Diriyah, com foco na execução.
- A guerra recente e dúvidas sobre investimentos estrangeiros dificultam o novo plano, mas há tentativa de manter o país competitivo, inclusive com planos para a Copa do Mundo de 2034.
O governo da Arábia Saudita vem reduzindo o ritmo de gastos com os megaprojetos anunciados no âmbito da Visão 2030, programa lançado há cerca de uma década pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. A queda acentuada na renda do petróleo, antes da atual escalada de conflitos no Oriente Médio, ajudou a mergulhar as ambições em uma fase de recalibração.
A agenda de transformar o reino em potência tecnológica, turística e econômica ganhou notoriedade internacional por meio de neom, um conjunto de projetos luxuosos com estimativas bilionárias financiados pelo fundo soberano PIF, que hoje soma quase um trilhão de dólares. As promessas chamavam atenção, porém enfrentaram ceticismo e atrasos.
A seguir, descreve-se como a executora visão mudou de rumo, com cortes, adiamentos e mudanças de foco em projetos emblemáticos do grupo NEOM, bem como no apetite por grandes investimentos externos.
Mudanças de rumo no NEOM e nos projetos de luxo
Alguns componentes do NEOM ficaram sob revisão ou foram paralisados. The Line, a ideia de uma cidade em linha contínua de dezenas de quilômetros, passou por revisões de escopo. A estação de esqui Trojena, situada nas montanhas ao noroeste, também reduziu suas pretensões de uso o ano todo, diante de custos e viabilidade.
The Cube, uma megaestrutura de escritórios e moradias, foi descartada por estimativas de alto custo. A iniciativa LIV Golf, voltada para circuitos esportivos com participação saudita, foi reavaliada como pouco benéfica sob o aspecto econômico e de imagem.
Contexto financeiro e operado pelo PIF
A forma de financiamento, baseada no fluxo de investimentos estrangeiros e no caixa do PIF, não atingiu as expectativas iniciais. A queda de receitas com petróleo, associada a incertezas geopolíticas, contribuiu para a revisão de prioridades, com foco em projetos mais modestos e de execução mais rápida.
O rumor de que a visão de diversificação da economia dependeria apenas de megaprojetos foi substituído por uma estratégia de resultados mais próximos do realismo, com ênfase em eficiência de gastos e sustentabilidade financeira.
Aspectos políticos e sociais
A transformação buscada por MBS abrangeu mudanças políticas e sociais, incluindo avanços limitados nos direitos das mulheres, ao mesmo tempo em que dissidentes permaneceram sob forte controle estatal. Episódios de repressão, como detenções de altos funcionários em operações de combate à corrupção, impactaram a imagem externa.
Autoridades e analistas divergem sobre o efeito dessas medidas na atratividade de investimentos. Alguns veem sinais positivos de maior foco na execução, enquanto outros destacam dúvidas sobre a confiabilidade do ambiente de negócios.
Perspectivas e próximos passos
A administração indicou que parte dos fundos passa a priorizar eficiência de gastos e monitoramento de desempenho, com planos quinzenais de avaliação. Projetos com menor custo e maior viabilidade, como revitalização de Diriyah e o parque Six Flags Qiddiya, continuarão em desenvolvimento.
No esporte, a Arábia Saudita mantém a promessa de sediar a Copa do Mundo FIFA de 2034, mantendo o objetivo de combinar talento esportivo com investimento público. A visão revisada enfatiza a entrega de resultados concretos em vez de anúncios grandiosos.
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