- Especialista da Universidade de Harvard, Vitelio Brustolin, diz que Israel atua conforme a vontade de primei-ro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta eleições marcadas para 27 de outubro, com possibilidade de antecipação para setembro, além de quatro acusações de corrupção e potencial prisão.
- Segundo Brustolin, o impulso de Israel no conflito com o Irã reflete interesses políticos internos de Netanyahu, não necessariamente os de Israel como nação.
- Há divergência de interesses entre Israel e Estados Unidos: apenas 27% dos norte-americanos apoiam o conflito, enquanto 81% são contrários à forma como Donald Trump conduz a guerra.
- O impasse no sul do Líbano é destacado: o Hezbollah não desarma, mesmo com pressão libanesa, e o presidente do Líbano, Joseph Aoun, pediu que o Irã cesse o fornecimento de armas ao grupo.
- O Hezbollah desrespeita a resolução das Nações Unidas nº 1701, que proíbe armas e tropas abaixo do rio Litani; não há saída para o impasse no momento, segundo o especialista.
Um especialista de Harvard afirma que a avaliação da guerra é mais favorável a Israel do que aos EUA. Em entrevista ao WW nesta quinta-feira (11), ele disse que as ações militares em curso refletem prioridades internas de Israel e não apenas a conjuntura regional.
Brustolin sustenta que as ações militares israelenses respondem a interesses políticos internos, com foco na reeleição do governo de Netanyahu. A declaração ocorre em meio a pressões judiciais e políticas enfrentadas pelo premier.
Segundo o pesquisador, Israel tem eleições programadas para 27 de outubro, com possibilidade de antecipação para setembro, após aprovação parlamentar. O premiê Netanyahu enfrenta quatro acusações de corrupção e uma ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional.
Divergência de interesses entre Israel e EUA
Ainda conforme o especialista, há uma clara divergência entre interesses de Israel e dos Estados Unidos no conflito com o Irã. Enquanto Israel avalia a guerra de forma mais favorável, apenas 27% dos americanos apoiam o conflito, segundo levantamento citado.
O estudo também aponta que 81% dos norte-americanos são contrários à forma como Donald Trump tem conduzido a guerra. Esse hall de resultados indica um ambiente público desfavorável à continuidade do conflito.
Impasse no Líbano e situação regional
Brustolin também comentou o impasse no sul do Líbano, com Netanyahu mantendo tropas na região até que o Hezbollah se desarme. O Hezbollah, por sua vez, recusa-se a depor as armas, mesmo com pressão do governo libanês.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou recentemente que o Irã deve cessar o fornecimento de armas ao Hezbollah, sob pena de agravar o conflito interno. O pesquisador aponta que a resolução da ONU de 2006, que proíbe armas na região, continua sem cumprimento.
Entre na conversa da comunidade