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Livro sobre Charlottesville analisa o legado do ódio racial nos EUA

Ensaio desvenda como o ódio racial persiste nos EUA, ligando Charlottesville de 2017 aos dilemas atuais da democracia

Laura Greenhalgh
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  • O livro Charlottesville: An American Story, de Deborah Baker, investiga o ataque de agosto de 2017 em Charlottesville, quando neonazistas, supremacistas brancos e membros da Ku Klux Klan foram às ruas para protestar contra a remoção de uma estátua de Robert E. Lee.
  • O protesto terminou com o atropelamento de uma multidão por um veículo, que deixou dezenas de feridos e Heather Heyer morta, aos 32 anos.
  • Baker analisa contradições da formação dos EUA e questiona quais mitos sustentam a nação diante de um país cada vez mais polarizado.
  • A autora também relaciona o episódio a episódios históricos, incluindo a presença na cidade, nos anos 1930, de um emissário de Ezra Pound para reanimar o ódio racial, conectando passado fascista ao presente.
  • O livro discute ainda como o extremismo continua latente nos Estados Unidos, em meio a referências a figuras históricas como Thomas Jefferson e a escravidão.

Deborah Baker lança o livro Charlottesville: An American Story pela Graywolf Press, investigando o ataque de agosto de 2017. A autora mergulha nos eventos que levaram àquele fim de semana violento nos EUA, começando com rumores de confrontos na cidade.

O protesto reuniu neonazistas, supremacistas brancos e membros da Ku Klux Klan para impedir a remoção de uma estátua de Robert E. Lee. A ação culminou com o uso da força bruta para intimidar moradores e desafiar autoridades.

Heather Heyer, aos 32 anos, morreu após o atropelamento de um carro de um extremista. Decisivo para a memória do caso, o episódio ganhou contornos trágicos que marcaram época e influenciaram o debate político nacional.

James Field Jr., o motorista, foi condenado por homicídio e várias infrações, refletindo a gravidade do ataque. A repercussão essencial reside na persistência de ideologias extremistas no país, mesmo após a tragédia.

A obra questiona quais mitos sustentam a nação diante de contradições históricas. Baker analisa a gênese dos Estados Unidos, incluindo a relação entre democracia, liberalismo e o legado da escravidão.

Contexto histórico

A pesquisadora recorre a episódios anteriores na cidade, como a visita de um emissário ligado ao poeta Ezra Pound. O objetivo era reacender o ódio racial e vincular passado e presente em discursos propagandísticos.

Baker aponta que o fascismo não é apenas passado, mas fenômeno que reaparece em diferentes momentos. Charlottesville é apresentado como exemplo de como o extremismo pode se estruturar de forma latente.

A autora também traça paralelos com figuras históricas, como Thomas Jefferson, e discute como as contradições da formação do país alimentam tensões atuais. O livro propõe leitura crítica sobre identidade nacional.

Charlottesville: An American Story chega a público em 472 páginas, com edição impressa pelo preço de R$ 112,69 e versão digital por R$ 83,28. A obra está disponível em inglês.

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