- O Metropolitan Museum of Art repatriou à Cambodja duas esculturas de pedra: uma divindade guardiã rākṣasa (período de Angkor, c. 921-945) e um lintel com dragão antropomórfico (século VII médio).
- As peças retornaram após investigação do Ministério Público de Manhattan envolvendo Doris Wiener, conhecida traficante de antiguidades, e sua filha Nancy Wiener, que se declarou culpada em 2021.
- Em 2023, o Met já havia devolvido quatorze esculturas à Cambodja, após apurações sobre o dealer Douglas Latchford; a instituição mantém acordos e parcerias com o país.
- As esculturas foram formalmente transferidas na cerimônia de ontem, junto com a cabeça de Harihara, associada ao sítio Koh Ker, onde o guardião ficava na entrada do templo Prasat Chen.
- O promotor Alvin Bragg destacou o trabalho de persecução e recuperação de artefatos, enquanto o Met reforçou o fortalecimento de pesquisas de provenance e a cooperação com autoridades cambojianas.
O Metropolitan Museum of Art repatriou à Coremog Cambodia dois objetos de seu acervo: uma estátua de guardian demon (*rākṣasa*) do período Angkor, datada por volta de 921 a 945, e um lintel com entalhe de um dragão antropomórfico do século VII. A devolução ocorreu nesta semana, conforme anúncio do Met e do escritório do Procurador do Distrito de Manhattan. A cerimônia oficial também transita pela transferência de um terceiro artefato, a cabeça de Harihara.
A ação integra o desfecho de investigações sobre tráfico de antiguidades envolvendo Doris Wiener, comerciante de galerias em Nova York, já falecida, e sua filha Nancy Wiener, que admitiu em 2021 participação em contrabando de peças saqueadas. As peças, consideradas devoluções legais, foram recuperadas após extensas apurações que envolvem autoridades federais.
Contexto histórico e administrativa
O Met informou que, em 2023, já havia devolvido 14 esculturas ao Reino do Camboja após investigações similares ligadas a Douglas Latchford, empresário britano-tailandês. O museu também promove parcerias de longa data com museus nacionais do Camboja, incluindo a participação em exposições internacionais que destacaram a herança cultural da região.
Detalhes da devolução e das peças
A estátua de guardião, outrora dianteira do templo Prasat Chen em Koh Ker, mostra pés e base ainda visíveis. Representa um demônio guardião que protegia o espaço sagrado da construção de Koh Ker, reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Koh Ker sofreu saques na década de 1970, e várias peças saíram irregularmente do Camboja.
A outra peça, o lintel com dragão, remete a um período de arte escultórica do século VII. Além dessas, a cabeça de Harihara, também em sandstone, foi entregue ao Camboja na cerimônia de ontem.
Repercussões institucionais e números
O escritório da Procuradoria de Manhattan informou que a unidade de tráfico de antiguidades já processou 18 indivíduos por crimes ligados a bens culturais, recuperou mais de 6.350 tesouros culturais e devolveu quase 6.000 desses itens a 38 países. A extradição de sete suspeitos permanece pendente. O Met destacou o avanço de pesquisas de proveniência e o reforço de suas parcerias com autoridades cambojetas para esclarecer a história de cada objeto.
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