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Papa Leão vai às Ilhas Canárias destacar jornadas perigosas de migrantes

Papa Leão XIV visita as Canárias para destacar jornadas perigosas de migrantes e pedir vias legais, em meio a pacto da UE de controle de fronteiras

BBC A young Gambian man smiles to the camera in a t-shirt. Behind him is the coastline and apartment buildings
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  • O Papa Leo XIV inicia uma visita de sete dias às Ilhas Canárias para destacar as jornadas perigosas de migrantes que chegam à região, incluindo histórias como a de Bakary Jaiju.
  • Bakary, de dezenove anos, deixou a Gâmbia em um barco de madeira em busca de uma vida melhor e ficou sete dias no mar até chegar a Tenerife, sob condições críticas.
  • Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados indicam queda nas chegadas por mar à Espanha neste ano, parcialmente por interceptações na costa oeste da África financiadas pela União Europeia; ainda assim muitos continuam tentando e morrendo.
  • O Papa defenderá caminhos seguros e legais para migrantes, pedirá uma abordagem humana e lembrará as vítimas, abrindo espaço para homenagens em Gran Canaria.
  • Na Espanha, o governo permite regularizar o status de centenas de milhares de migrantes sem documentos que chegaram antes de dezembro, medida que gerou críticas da oposição; empresas locais também passaram a empregar jovens migrantes.

Bakary Jaiju tinha 19 anos quando deixou Gâmbia em uma embarcação de madeira, buscando chegar à Europa. Foram sete dias no mar, com comida e água cada vez mais escassas, até alcançar as Ilhas Canárias no fim do ano passado em busca de uma vida melhor.

Ao recontar sua travessia, Jaiju diz que decidiu partir mesmo correndo risco de morte para sustentar a família. Deixou esposa e filho para trás, enfrentando as águas do Atlântico e as dificuldades de adaptação após a chegada.

Desde então, centenas de migrantes já perderam a vida tentando chegar ao território espanhol pelas rotas marítimas do Atlântico, relato que ganha contornos ainda mais humano com as histórias de quem chegou.

O Papa Leão XIV, em visita às Canárias, pretende colocar em foco a trajetória dos migrantes e a periculosidade das jornadas, servindo como contraponto a discursos sobre uma suposta crise migratória e uma invasão ideológica.

Dados do ACNUR indicam queda nas chegadas por mar à Espanha neste ano, em parte devido a operações de interceptação da costa africana financiadas pela UE. Mesmo assim, o fluxo persiste e traz riscos.

Durante a estadia nas ilhas Gran Canária e Tenerife, o Papa destacará a necessidade de caminhos seguros e legais para quem busca Europa, além de defender uma abordagem humana e um acolhimento respeitoso para quem recorre a criminosos para chegar ao continente.

Em Gran Canária, o Papa deverá fazer uma homenagem às vítimas no mar, lançando flores ao oceano para lembrar os barcos que sumiram sem deixar vestígios.

Padre Pepe, um sacerdote espanhol, coordena uma organização que apoia migrantes e refugiados após a maioridade. Para ele, a humanidade do tema é central e a integração bem feita pode trazer resultados positivos para todos.

A situação de Jaiju ganhou uma brecha com uma medida adotada pelo governo de Pedro Sánchez: a regularização de migrantes sem documentos que chegaram antes de dezembro. A iniciativa facilita residência e permissão de trabalho para milhares de pessoas.

Apoiada pela empresa Domingo Alonso, a adesão de jovens migrantes ao mercado de trabalho local já gerou impacto na Gran Canária, com empresas de diversos setores recrutando mão de obra entre jovens que deixaram cuidados estatais.

O programa encontrou resistência inicial nas redes sociais, com críticas a suposta competição por vagas de emprego. Hoje, dezenas de empresas participam, incluindo grandes redes hoteleiras.

Enquanto o Papa intensifica o tom humano, a UE prepara um novo pacto migratório. A medida foca o endurecimento de fronteiras e aumenta possibilidades de detenção e deportação de chegadas marítimas.

Para autoridades locais nas Canárias, a carência de mão de obra persiste em setores como hotelaria, construção e transporte. O debate envolve políticas de imigração, emprego e serviços públicos.

Francis Candil, vice-ministro de Bem-Estar, afirma que é necessária uma política migratória que ofereça opções legais para migrantes africanos e não apenas barreiras, para evitar riscos extremos de deslocamento.

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