- Torcedores de várias nações relatam proibições de viagem, restrições de visto ou altas taxas para entrar nos EUA, dificultando acompanhar a Copa do Mundo no país-sede.
- O caso do Iraque mostra o atraso: o visto foi negado mesmo com ingressos comprados para jogos nos EUA, após suspensão de serviços consulares no país pela segurança regional.
- Análise da BBC aponta que a taxa de rejeição de vistos para cidadãos de onze dos 48 países classificados para o torneio ficou acima de 40%, incluindo Equador, Egito, Haiti, Argélia, Uzbequistão, Cabo Verde, Jordânia, Irã, República Democrática do Congo, Gana e Senegal.
- Países como Senegal e Costa do Marfim conseguiram adiar ou evitar o visto com novas regras, mas ainda há custos e incertezas para torcedores que desejam acompanhar a competição.
- Autoridades dos EUA afirmaram estar preparados para receber visitantes, lembrando que a decisão sobre visto depende de avaliação individual, enquanto o Fifa Pass pode acelerar entrevistas, sem garantia de aprovação.
O relato de torcedores de várias partes do mundo mostra como as regras de visto e as proibições de viagem aos EUA dificultam a ida a jogos da Copa do Mundo disputados no país. O caso mais emblemático envolve Abdulla Adnan, iraquiano que comprou ingressos para Iraque x Noruega e Iraque x França, com partidas em Boston e Filadélfia, respectivamente. Mesmo com a classificação do Iraque, a dificuldade de obter visto mudou os planos do torcedor.
Adnan tentou diversas alternativas após enfrentar a indisponibilidade de vistos presenciais na Jordânia, por não ter cidadania jordaniana. Os ingressos e a viagem custaram cerca de US$ 1,8 mil. Ele avaliou também a Turquia, mas o tempo de processamento inviabilizou a tentativa. O episódio ilustra um problema que atinge torcedores de um grupo expressivo de países.
Barreiras de visto e exclusão percebida
A BBC analisou dados do governo dos EUA e identificou que torcedores de 11 dos 48 países classificados tiveram taxas de rejeição superiores a 40%. Entre eles, Haiti, Irã, Senegal, Costa do Marfim e outros. A média de rejeição para pedidos de turismo e negócios fica em torno de 34%.
Julien Kouadio Adonis, da associação da Costa do Marfim, afirmou que as regras configuram uma forma de segregação. A Costa do Marfim e o Senegal costumam enviar grupos de torcedores, mas optaram por não viajar diante das barreiras. A percepção é de que o torneio perde público e energia quando países inteiros ficam de fora.
A Jordânia, país que se classificou pela primeira vez para a Copa, também teve alta rejeição de vistos, com relatos de que poucos torcedores conseguiram autorização. O porta-voz do Departamento de Estado garantiu que a maioria dos visitantes não precisa de visto quando viaja sem restrições ou já possui aprovação prévia, e que cada pedido é avaliado individualmente.
Impactos práticos e perspectivas
Alguns torcedores podem recorrer a mecanismos como o FIFA Pass, que prioriza entrevistas de visto para portadores de ingressos. Mesmo assim, especialistas destacam que o FIFA Pass não garante a aprovação do visto, apenas agiliza o processo. Em todo o caso, a entrada no país depende da decisão das autoridades de fronteira.
Entre os casos citados, o torcedor Aliou Ngom, do Senegal, relatou desistência de tentar visto após observar as dificuldades em suas tentativas anteriores. A associação de torcedores jordanianos também informou casos de recusas generalizadas, com relatos de documentos extensos apresentados em Amã sem sucesso.
O governo dos EUA reiterou que recebe visitantes de todo o mundo para a maior e melhor Copa do Mundo da história, destacando que o tempo para análise varia e que muitos cidadãos de países sem restrições já possuem visto ou não precisam dele. A administração ressalta a importância de avaliar cada situação com rigor para evitar riscos à segurança.
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