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UE amplia corrida de IA, mirando além EUA e China; Brasil tem papel

UE avança em soberania tecnológica para reduzir dependência de EUA e China; Brasil aparece como parceiro estratégico e pode assinar acordo digital

Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da União Europeia para a soberania tecnológica — Foto: Divulgação, Web Summit
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  • União Europeia apresenta plano de soberania tecnológica no Web Summit Rio, buscando reduzir dependências em IA, computação em nuvem, semicondutores e infraestrutura digital.
  • Estratégia europeia combina investimentos internos com parcerias estratégicas, com foco em desenvolver capacidades próprias e modelos de IA alinhados à cultura, valores e idiomas europeus.
  • Brasil é visto como parceiro estratégico, com previsão de assinatura de acordo de parceria digital em Brasília para fortalecer cooperação em pesquisa, inovação, conectividade, economia de dados e cibersegurança.
  • A UE planeja ampliar a infraestrutura de IA com 19 data centers, elevando a capacidade de computação para startups e pequenas empresas e destacando a necessidade de transformar conhecimento em empresas competitivas.
  • Regulamentação da IA na UE, o AI Act, é apresentada como baseada em risco para promover competição justa e evitar monopólios, mantendo regras flexíveis ante avanços como IA generativa.

A União Europeia quer ir além da corrida entre Estados Unidos e China na IA. Em palco no Web Summit Rio, Henna Virkkunen explicou a estratégia para reduzir dependências em áreas críticas como IA, nuvem, semicondutores e infraestrutura digital. O objetivo é manter competitividade sem isolar o bloco.

A executiva destacou que a soberania tecnológica não significa isolamento. A combinação entre investimentos internos e parcerias estratégicas com aliados confiáveis faz parte do planejamento para enfrentar modelos dominantes no mercado. A prioridade é aumentar a capacidade própria sem perder cooperação internacional.

Virkkunen ressaltou ainda a importância de desenvolver modelos de IA alinhados à cultura, aos valores e aos idiomas europeus. Segundo ela, países que não conseguem produzir e fabricar tecnologicamente acabam mais vulneráveis em crises e em períodos normais.

Brasil como parceiro estratégico

O Brasil aparece como aliado estratégico para a União Europeia, segundo a vice-presidente executiva. O Brasil é visto como parceiro confiável por compartilhar mercados abertos, tecnologias seguras, cooperação internacional e respeito a regras comuns. Há espaço para ampliar pesquisa, inovação, conectividade, economia de dados e cibersegurança.

A executiva informou que, após o Web Summit, seguiria para Brasília para assinar um acordo de parceria digital entre a UE e o governo brasileiro. O objetivo é fortalecer a cooperação tecnológica entre as duas regiões e explorar novas frentes de atuação.

A UE reconhece que, apesar do peso acadêmico, ainda encontra dificuldades para transformar conhecimento em empresas globais. Entre os gargalos, Virkkunen cita a capacidade computacional limitada e a necessidade de infraestrutura.

Para enfrentar isso, o bloco planeja investir em 19 data centers de IA. A iniciativa deve ampliar a capacidade computacional disponível para startups e pequenas empresas, estimando um crescimento significativo nos próximos anos. A Europa soma cerca de 8 mil startups ligadas à IA e afirma ter maior densidade de engenheiros de IA per capita do que os EUA.

Regulação e competitividade

A vice-presidente defendeu a abordagem regulatória europeia para IA, baseada no AI Act, que classifica riscos e estabelece regras proporcionais por setor. Tecnologias de baixo risco encontram menos exigências, enquanto áreas sensíveis recebem normas mais rígidas.

Virkkunen afirmou que a legislação é flexível o suficiente para acompanhar avanços da IA gerativa, sem abrir espaço para monopólios. A regulação busca manter a concorrência e facilitar a entrada de novos players no mercado europeu.

A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú.

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