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YouTube lucra com contas de iranianos sancionados

Pesquisa aponta que mais de 75 canais ligados a entidades sancionadas pelos EUA exibem anúncios no YouTube, gerando receita

Photograph: EKIN KIZILKAYA/Getty Images
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  • Pesquisa da Tech Transparency Project aponta que mais de setenta canais do YouTube, monetizados, são gerenciados por indivíduos e entidades sancionados pelo governo dos Estados Unidos por vínculos com o Irã, incluindo o IRGC.
  • Identificação funciona com base em canais vinculados a governos iranianos e a pessoas sancionadas pelo Escritório de Controle de Bens Estrangeiros (OFAC). Ao todo, oitenta e quatro canais apresentam anúncios.
  • Os anúncios veiculados nesses conteúdos vão de Subaru a Verizon, TurboTax, Ozempic e KFC; há ainda caso com anúncio do U.S. Customs and Border Protection em vídeo do Ministério da Patrimônia Cultural, Turismo e Artes do Irã.
  • Google e YouTube afirmam cumprir sanções e políticas; a empresa já removeu contas ligadas ao Ministério das Relações Exteriores do Irã, em dois mil e vinte e quatro, por violar regras de sanções.
  • Entidade iraniana, como a universidade islamita al-Mustafa e a unidade de Forças Especiais Antiterrorismo, além de veículos oficiais como a agência estatal Fars, aparecem com canais no YouTube que exibem anúncios.

Dois ou mais quesitos centrais emergem de pesquisa publicada com exclusividade à WIRED: canais monetizados no YouTube estariam sendo operados por indivíduos e entidades sancionadas pelo governo dos EUA por ligações com o Irã. O estudo aponta que dezenas de canais ligados ao governo iraniano, incluindo ao IRGC, recebem receita de anúncios na plataforma. As descobertas são baseadas no relatório da Tech Transparency Project.

A análise identificou mais de 75 canais que, segundo o OFAC, constam na lista de sanções do Tesouro dos EUA. Os canais exibem anúncios de empresas diversas, como Subaru, Verizon, TurboTax, Ozempic e KFC. Em um caso, houve veiculação de anúncio da Customs and Border Protection em vídeo produzido pelo Ministério da Cultura, Turismo e Artes do Irã.

O que a pesquisa revelou

Segundo os pesquisadores, os canais são operados por indivíduos e entidades sujeitos a sanções abrangentes ou específicas ao Irã, incluindo ações ligadas à contrarrepressão, proliferação e direitos humanos. A Google afirma cumprir as leis de sanções e adotar medidas conforme necessário quando há violação de políticas.

Quem está envolvido

Entre as pessoas sancionadas citadas estão Babak Zanjani, ligado ao IRGC; Ali Akbar Velayati, assessor do líder iraniano; e Naji Sharifi Zindashti, acusado de alvos contra dissidentes no exterior. As informações não implicam automaticamente responsabilidade da plataforma, mas destacam a presença de conteúdos monetizados por entidades sancionadas.

Entidades e instituições com canais monetizados

Entre as entidades identificadas estão a Universidade Al-Mustafa, sancionada em 2020 por atividades de recrutamento de fontes de inteligência, com canais em inglês e francês. A Schol de ensino islâmico tem ao menos quatro canais monetizados com anúncios em vídeo. Além disso, unidades ligadas às forças especiais de counterterrorismo do Irã e a emissora estatal Fars também aparecem com canais que exibem anúncios.

Contexto regulatório e respostas

A pesquisa ocorre após ações do YouTube em 2024, incluindo o banimento de uma conta ligada ao Ministério das Relações Exteriores do Irã. A plataforma destacou que canais de entidades estatais iranianas não são permitidos sob as políticas de anúncios. Especialistas em sanções ressaltam que muitos canais mostram usuários e entidades sancionados em diferentes programas do OFAC.

Desdobramentos e próximos passos

Analistas apontam que a presença de anúncios pagos com recursos públicos norte-americanos em conteúdos de canais sancionados levanta questões sobre a aplicação de sanções e a conformidade da plataforma. O US CBP não comentou o assunto quando acionado para esclarecimentos. Informações adicionais devem continuar sendo verificadas pela Tech Transparency Project.

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