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EUA deportam migrantes para país africano que recomenda evitar a todo custo

Deportados dos EUA para a República Centro-Africana envolvem iranianos, afegãos, turcos e georgianos, com controvérsia jurídica e riscos humanitários

A crise na República Centro-Africana já provocou quase um milhão de deslocados.
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  • Um avião com deportados dos Estados Unidos seguia para a República Centro-Africana nesta sexta-feira, com passageiros iranianos, afegãos, turcos e georgianos; o voo decolou de Alexandria, Louisiana, e fez escala em Gana.
  • A prática de encaminhar deportados para “terceiros países” é parte da política anti-imigração associada ao ex-presidente Donald Trump, cuja legalidade é contestada nos EUA e no exterior.
  • A maioria dos deportados para a CAR seriam beneficiários de prorrogações de deportação; ainda não se sabe se todos seguirão para o país africano ou se haverá devolução parcial.
  • Advogada informou que há temores de que pessoas enviadas para a CAR não recebam status ou apoio locais e acabem retornando aos países de origem.
  • Questões envolvendo condições de detenção nos EUA, tratamento em Gana e o possível acordo entre Bangui e Washington permanecem sem respostas oficiais até o momento.

Dois aéreos com deportados dos EUA seguem rumo à República Centro-Africana, nesta sexta-feira (12). O voo, monitorado por uma ONG e respaldado por um advogado, inclui cidadãos iranianos, afegãos, turcos e georgianos. A viagem teve saída em Alexandria, Louisiana, com escala prevista em Ghana antes de chegar ao destino final. A operação faz parte de uma política de deportações para terceiros países, alvo de disputas legais nos EUA e no exterior.

O monitoramento fica por conta do ICE Flight Monitor, ligado à organização Human Rights First. O número de passageiros não foi informado. A escala em Ghana ocorreu por volta das 13h (UTC) de sexta-feira, conforme dados de voos abertos. A advogada de imigração Alma David afirmou que ainda não está claro se todos os deportados seguirão para a República Centro-Africana ou se parte será devolvida a seus países de origem.

Acompanhantes e estratégias jurídicas

Advogada de imigração destacou que os enviados para a República Centro-Africana eram, em sua maioria, quem possuía prorrogações de deportação, oriundos de diversos países. Emily Trostle alertou que existe o risco de retorno às nações de origem, como já ocorreu com outros deportados enviados a África. As autoridades de imigração dos EUA e de Ghana não se manifestaram.

Tratamento, legalidade e desdobramentos

O governo de Donald Trump tem ampliado o conjunto de pessoas sujeitas à deportação, incluindo indivíduos com proteção legal. De fora, relatos indicam condições de detenção precárias nos EUA, tratamento desumano em Ghana e detenção prolongada em Eswatini. De Ghana e Guiné Equatorial, alguns deportados já retornaram a seus países, mesmo com decisões judiciais que apontavam risco nesses lugares.

Ainda não está definido o que acontecerá com os deportados ao chegarem à República Centro-Africana, país marcado por conflito e pela presença de atores armados. A relação entre Bangui e Washington, o primeiro acordo de deportação entre ambos, permanece sem comentários oficiais. As autoridades centro-africanas não responderam a pedidos da AFP.

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