- A União Europeia assinou, em Brasília, uma parceria inédita para fortalecer a soberania tecnológica do bloco na corrida pela IA, com o Brasil como peça-chave.
- A vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Henna Virkkunen, apontou o Brasil como “parceiro confiável” e citou o acordo recente com o Mercosul, visando reduzir dependência de Estados Unidos e China.
- O Brasil passa a integrar um grupo restrito que inclui Canadá, Coreia do Sul, Japão e Singapura, com os termos do acordo ainda não divulgados.
- A UE detalhou metas da sua estratégia tecnológica, incluindo 19 fábricas de IA na região e interoperabilidade para evitar que grandes empresas fechem mercados; sobre a Siri, Virkkunen afirmou que a decisão da Apple é da empresa e que a interoperabilidade não envolve revelar segredos de negócio.
- Entre as prioridades estão aumento da adoção de IA nas empresas (meta de 75% até 2030, frente a 20% em 2025) e a aplicação do AI Act, que já abrange agentes de IA.
A União Europeia formaliza uma parceria com o Brasil para acelerar a soberania tecnológica no campo da inteligência artificial. O acordo, assinado nesta sexta-feira no Palácio Itamaraty, em Brasília, marca um passo político relevante no diálogo entre os blocos. O anúncio ocorreu após participação de dirigentes europeus no Web Summit Rio.
Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, destacou o Brasil como parceiro confiável em meio à estratégia de reduzir a dependência de grandes empresas norte-americanas e chinesas. O acordo com o Mercosul também foi citado como um componente do alinhamento.
A parceria coloca o Brasil entre poucos países com esse tipo de vínculo, que já incluem Canadá, Coreia do Sul, Japão e Singapura. Os termos ainda não foram divulgados, mas o objetivo é ampliar autonomia tecnológica e reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras na IA.
A iniciativa surge após anos de aproximação entre UE e Brasil, iniciada com o Diálogo sobre Economia Digital em 2024 e fortalecido por um plano de trabalho conjunto em 2025-2026 com foco em IA, governança de dados, conectividade e redes 6G. O novo acordo eleva o diálogo técnico a um patamar político.
Entre os temas prioritários estão a regulação de IA, computação de alto desempenho, governança de dados e assinaturas digitais. A UE apresentou um pacote de soberania tecnológica na semana passada, com metas para reduzir a dependência de chips, nuvem e software.
Durante a apresentação, Virkkunen comentou a decisão de uma grande empresa de não lançar uma nova IA no mercado europeu. A executiva ressaltou que a interoperabilidade não implica abrir segredos de negócio, mas evita o fechamento de mercados para concorrentes.
A UE planeja a construção de 19 fábricas de IA distribuídas pela União, visando aumentar a capacidade computacional do bloco em cinco vezes no próximo ano. A infraestrutura deverá apoiar startups e pequenas empresas no treinamento de modelos próprios.
Dados oficiais indicam que apenas 20% das empresas europeias utilizam IA atualmente. A meta do bloco é chegar a 75% até 2030, embora haja reconhecimento de que o número atual é baixo para o ritmo desejado.
A discussão sobre o AI Act envolve a inclusão de agentes de IA, entendidos como parte da IA generativa. A UE sustenta que essas tecnologias devem seguir avaliações de risco e medidas de mitigação, mantendo o arcabouço regulatório atual.
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