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Irã busca manter Líbano como instrumento de pressão nas negociações com EUA

Líbano afirma soberania e negocia com EUA e Israel para manter independência diante da influência iraniana, enquanto o impasse pode atrasar o retorno de deslocados

Apoiadores do Hezbollah exibem bandeiras e cartazes do falecido líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, durante um comício nos subúrbios do sul de Beirute, Líbano, em 10 de junho de 2026
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  • O Líbano é visto pelo Irã como instrumento de pressão nas negociações com os Estados Unidos, buscando manter influência no Mediterrâneo.
  • O presidente libanês, Joseph Aoun, disse que o futuro do Líbano está nas mãos dos libaneses, não do Irã nem de Israel, e afirmou que o país é soberano.
  • O Hezbollah rejeita negociações diretas com Israel, mas Beirute mantém diálogo com Washington para encerrar o conflito com participação do Irã na cuerda da pressão regional.
  • Em Washington, as negociações entre Líbano e Israel avançam lentamente, com propostas condicionando cessar-fogo à retirada do Hezbollah do sul e à normalização de garantias de segurança.
  • Planos de ações incluem zonas-piloto com retirada gradual de Israel, começando pelo Castelo de Beaufort, e coordenação internacional para retorno de deslocados, mas o Hezbollah já rejeitou o plano.

O Irã busca manter o Líbano como instrumento de pressão nas negociações com os EUA, conectando o destino do país a uma ampla barganha enquanto pretende encerrar a guerra entre Hezbollah e Israel nos seus próprios termos. Beirute reage buscando soberania e autonomia.

O presidente libanês, Joseph Aoun, disse à Reuters que o futuro do Líbano está nas mãos dos libaneses, não do Irã nem de Israel. Ele destacou que o país não pode ser campo para guerras de terceiros e que a via diplomática é a saída, não a militar.

Aoun afirma que cooperação com o Irã é diferente de aceitar que o Líbano fale em nome de Teerã. Ele também alertou que o Hezbollah não apresentou um plano alternativo para encerrar a crise, e que uma continuidade da war poderia afetar a comunidade que diz defender.

Negociações em Washington

Em Washington, as conversas entre Libano e Israel seguem sem avanços claros. O Líbano exige um cessar-fogo duradouro com retirada completa de Israel e retorno de deslocados, sob supervisão do Exército libanês.

Israel exige o desmantelamento do Hezbollah como força militar, pelo menos no sul, com comprovação de retirada antes de encerrar ocupações. Duas fontes libanesas, sob anonimato, descrevem as conversas como tortuosas.

Após cinco horas de reunião na semana passada, negociadores libaneses concluíram que Israel não cedia. O principal negociador, Simon Karam, deixou a sala, e a reunião só foi retomada com a intervenção de autoridades americanas. Uma proposta de última hora foi apresentada, com poucos detalhes.

Segundo a imprensa, o secretário de Estado dos EUA e o vice-presidente impulsionaram a retomada das negociações. Beirute propõe trilhas paralelas: retirada israelense e aumento gradual da autoridade do Estado libanês, a serem avançadas simultaneamente.

Um cessar-fogo seria seguido por um prazo de 24 horas para a retirada do Hezbollah, com zonas piloto na região do Castelo de Beaufort. A ideia previa controle progressivo das áreas pelos militares libaneses e retorno de civis com apoio de projetos de reconstrução.

Posições do Hezbollah

O Hezbollah rejeitou o plano, classificando-o como rendição às condições de Israel. Uma fonte libanesa afirma que as negociações em Washington não terão eficácia enquanto não houver cessar-fogo decorrente de acordo entre EUA e Irã.

A mesma fonte sustenta que as negociações realmente começam quando houver um cessar-fogo acordado entre Estados, momento em que o Líbano pressionará pela retirada israelense e Israel buscará garantias de segurança para o arsenal do Hezbollah.

O apoio internacional à linha libanesa cresce, ao lado de um consenso interno fora da comunidade xiita. O governo libanês tenta equilibrar a exigência de desmantelamento do Hezbollah com a insistência de Teerã em manter o grupo como instrumento regional.

A continuidade do impasse pode consolidar uma nova configuração no sul do Líbano, dificultando o retorno de deslocados e afetando tensões sectárias e políticas no país. As negociações devem seguir em andamento nos próximos dias.

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