- A mãe de Sylvester Muigai Ndung’u encontrou o corpo do filho no necrotório de Nanyuki, dois dias após ele desaparecer durante protestos contra um centro de quarentena para Ebola na base aérea local.
- Testemunhas dizem que Muigai foi morto na cabeça; autoridades aguardam laudo de necropsia para confirmar a causa da morte.
- Os confrontos ocorreram durante uma marcha pacífica que visava entregar uma petição para realocar o centro; a polícia usou gás lacrimogênio e água para dispersar os manifestantes.
- Três pessoas morreram nos protestos; organizações de direitos humanos acusam a polícia de uso excessivo da força, sem resposta das autoridades até o momento.
- O presidente William Ruto defendeu o plano, dizendo ter recebido o pedido dos Estados Unidos e pediu à população para não politizar o tema, ressaltando a gravidade da Ebola.
Pouco antes do meio da semana, Sylvester Muigai Ndung’u, 17 anos, foi encontrado morto em uma funerária de Nanyuki, cidade central do Quênia. O jovem desapareceu na terça-feira, durante protestos contra um plano norte-americano de instalar um centro de quarentena para Ebola em uma base militar nas proximidades. A polícia afirmou que aguarda o resultado de exame para esclarecer a causa da morte.
A família relatou que Muigai saiu de casa para buscar o uniforme escolar na casa da tia e se envolveu nos tumultos. A mãe do garoto contou que o corpo apresentava ferimentos graves na cabeça e roupas encharcadas de sangue. Testemunhas atribuíram a morte a disparos, enquanto autoridades sinalizaram a necessidade de confirmação médica.
O comandante local, Daniel Kitavi, informou à BBC que ainda há espera pelo laudo de necropsia. A família nega ter visto a vítima com arma, e sugerem que pode ter ocorrido o uso de dispositivo de gás lacrimogênio ou outra forma de violência. As circunstâncias permanecem sob apuração.
Muigai é a terceira vítima fatal nos protestos envolvendo a proposta de instalação do centro de quarentena na base aérea de Laikipia. O espaço seria destinado a pacientes norte-americanos com Ebola, em meio a preocupações sobre riscos transfronteiriços e transparência governamental.
A repressão aos protestos provocou confrontos em Nanyuki: manifestantes bloquearam vias, acenderam incêndios e foram dispersados com gás lacrimogêneo e água pela polícia. Até o momento, não há esclarecimentos oficiais sobre prisões ou casos de abuso relatados pela comissão de direitos humanos.
A saúde pública tem gerado controvérsia no país, com decisões judiciais que paralisaram o início das obras após ações de organizações civis alegando riscos à população. Imagens de satélite mostraram continuidade das obras na base, mesmo com decisão judicial.
A administração dos Estados Unidos informou que está ciente das objeções legais, mas mantém posição de buscar uma solução pacífica. O presidente do Kenya reiterou apoio ao projeto, defendendo que a medida é necessária para tratar casos de Ebola sem politizar o tema.
A mãe enlutada pediu resposta às autoridades e afirmou buscar justiça para o filho. O caso aguarda novos desdobramentos sobre as causas da morte e sobre possíveis responsabilidades na atuação policial durante os protestos.
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