- Em al-Bustan, Silwan, cerca de 59 propriedades já foram destruídas desde o final de 2023, com aumento das demolições na Jerusalém oriental ocupada.
- Metade das casas da região já foi demolida, levando moradores a enfrentar ordens de despejo e, em alguns casos, demolir por conta própria para evitar custos.
- Planos da prefeitura de transformar al-Bustan em um parque temático bíblico, o King’s Garden, têm sido acelerados por ordens judiciais de demolição.
- Palestinos enfrentam dificuldades para obter autorizações de construção; em 2025, apenas 7% das novas moradias aprovadas em Jerusalém foram destinadas a palestinos, que compõem cerca de 40% da população local.
- A comunidade internacional acompanha o tema, com a União Europeia chamando a situação de dire e grupos locais, como Ir Amim, alertando sobre a precariedade dos palestinos em Jerusalém; há também ações judiciais em curso e contatos diplomáticos para tentar evitar despejos.
Do bairro al-Bustan, em Silwan, o som de máquinas de demolição invade a região abaixo da Cidade Velha de Jerusalém. Um grande excavador derruba uma casa palestina, símbolo das pressões que aumentam na parte leste ocupada da cidade.
Até o final de 2023, cerca de 59 imóveis já foram destruídos na área, conforme relatos locais. O aumento acompanha a focalização internacional em conflitos na região, com menos atenção para a situação em Jerusalém Oriental.
Fayez Awad, de 58 anos, descreve a perda de tudo após as demolições. Em sua casa, restam apenas alguns pisos, marcando o desespero de famílias que reconstruíam suas vidas. A vila está entre demandas de planejamento e ordens judiciais de demolição.
Contexto político e legal
A administração municipal de Jerusalém defende que as ações buscam ampliar espaços públicos e criar um parque denominado King’s Garden, organizado por um coletivo de assentamento. As demolições são apoiadas por decisões judiciais em um contexto de planejamento urbano restrito aos palestinos.
Organizações de direitos humanos apontam que as permissões de construção para palestinos em Jerusalém Oriental são limitadas. Segundo Bimkom, em 2025 apenas 7% das novas moradias aprovadas na cidade eram destinadas a palestinos, que representam cerca de 40% da população local.
Muitos moradores relatam rejeição de propostas alternativas de planejamento pela autoridade local. Em meio à pressão, metade das casas da área já foi demolida, levando moradores a demolir por conta própria parte de suas estruturas para evitar custos elevados.
Autoraidades locais afirmam que o município está promovendo uma gestão de espaços públicos, enquanto residentes e ativistas descrevem uma política de redesenho urbano que favorece a presença judaica na cidade. Grupos de direitos humanos e organizações anti-assentamento acompanham o desenrolar do processo.
Desdobramentos e cenário humano
Na prática, moradores relatam dificuldades em encontrar novas moradias dentro de Jerusalém. Um relatório de Bimkom aponta que um novo registro de terras, aplicado desde 2018, tem sido utilizado como ferramenta de desapropriação e deslocamento.
Reflexos na população incluem deslocamentos repetidos, com famílias buscando manter-se próximas de locais sagrados e de suas redes de apoio. Em meio a isso, setores internacionais manifestam preocupação com o impacto sobre direitos humanos e a possibilidade de uma Jerusalém compartilhada.
Entidades internacionais já destacaram a crise em Jerusalém Oriental, reiterando a oposição a políticas de assentamento. A situação na área de al-Bustan ganha visibilidade entre diplomatas estrangeiros que visitam o local para observar as condições de moradia.
Yusra Qweider, de 97 anos, está entre os moradores visitados por oficiais. Ela recebeu várias ordens de despejo desde 1948, enfrentando novos avisos enquanto permanece em casa. A5 complexidade do caso reflete o cenário de longos conflitos e disputas territoriais na região.
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