- O major Rafael Rozenszajn, 43 anos, é o primeiro porta-voz das Forças de Defesa de Israel em língua portuguesa, carioca de nascimento, que vive em Israel há mais de duas décadas e atuou no esporte antes da carreira militar e jurídica.
- Segundo ele, o Irã representa uma ameaça existencial multidimensional a Israel, financiando e treinando grupos como Hamas, Hezbollah e milícias no Iraque e na Síria, além de possuir milhares de mísseis balísticos voltados ao país.
- A operação Rugido do Leão foi um avanço operacional, e Israel mantém coordenação estreita com os Estados Unidos diante da ameaça iraniana, alterando a equação estratégica e a percepção de capacidades fora de suas fronteiras.
- Em relação ao Líbano, a resposta de curto prazo envolve proteção de comunidades no norte e na Alta Galileia, com foco em drones explosivos; a solução duradoura passa pelo desarmamento do Hezbollah ao sul do Rio Litani, conforme consenso internacional.
- Sobre antissemitismo, ele afirma que é uma forma sofisticada de ataque que costuma se camuflar como crítica política, defendendo o direito de Israel existir e destacando o aumento de intolerância no Brasil; o vínculo com o Brasil é histórico e profundo.
Rafael Rozenszajn, major da reserva das IDF e porta-voz em língua portuguesa, respondeu a perguntas ao Correio sobre a visão israelense dos conflitos no Oriente Médio. O brasileiro natural do Rio de Janeiro apresenta a perspectiva de Israel com rigor e transparência. A missão é esclarecer o público brasileiro sobre a situação atual.
Rozenszajn descreve o Irã como uma ameaça existencial, multidimensional e exportável. Além da questão nuclear, o regime financia, arma e treina grupos como Hamas, Hezbollah, milícias no Iraque e na Síria, além de manter milhares de mísseis diretos a Israel. A avaliação é de que a ameaça não se encerra em uma única operação.
Ameaça iraniana
A operação rugido do leão é citada como avanço histórico, neutralizando infraestrutura do CGRI, mas o desafio persiste. As IDF mantêm coordenação estreita com os EUA diante do risco iraniano, alterando a equação estratégica na região.
Defesa no Líbano e Hezbollah
Sobre o Líbano, Rozenszajn destaca que, desde março, o Hezbollah disparou mais de 8.700 projéteis contra o norte de Israel; desde outubro de 2023, foram mais de 14 mil. A resposta imediata inclui presença da IDF na Área de Defesa Avançada e combate a drones explosivos. A solução estrutural passa pela desarmamento do Hezbollah ao sul do Litani.
Risco de guerra civil no Líbano
Há sinais de insatisfação com a influência do Hezbollah, com setores do Libano defendendo o enfraquecimento da estrutura militar do grupo. Eventos recentes, como mensagens de moradores cristãos agradecendo às tropas israelenses, indicam preocupação com a estabilidade interna.
Antissemitismo e Brasil
O porta-voz afirma que o antissemitismo é disfarçado de crítica política ou solidariedade a causas. Em ênfase, critica a responsabilização de Israel como único culpado e aponta crescimento de episódios de intolerância nas redes sociais no Brasil, enfatizando que críticas são legítimas, desde que não neguem direito de existir.
Ligação com o Brasil
Rozenszajn nasceu no Rio, integrou o Fluminense no vôlei e o Flamengo no futebol, e imigrou há mais de 20 anos para Israel. O brasileiro diz que a raiz carioca facilita o diálogo com o país, reforçando que atua como porta-voz com compreensão do debate público brasileiro.
Entre na conversa da comunidade