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Defesa é desafio da política externa do Brasil, afirma assessor

Defesa é o principal desafio da política externa; Brasil precisa decidir sobre investimentos no setor diante da atuação militar dos EUA na Venezuela

Alto Alegre (RR), 10/02/2023 - Vista em sobrevoo do rio Mucajaí, afetado pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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  • Defesa é um dos principais desafios da política externa nos próximos anos, com foco na atuação militar dos Estados Unidos na Venezuela e na ampliação de conflitos internacionais.
  • O assessor-chefe adjunto Audo Faleiro afirma não enxergar ameaça imediata às reservas brasileiras de petróleo nem ao programa nuclear nacional.
  • O Brasil precisará decidir se deve investir mais em defesa, diante do dilema entre manter o país pacífico e enfrentar vulnerabilidade militar.
  • Além da defesa, seis temas exigem cuidado até 2030: minerais críticos e terras raras, soberania digital, crime organizado transnacional, integração regional e integração com países africanos.
  • Sobre Brics, Faleiro considera o aumento de membros um erro e aponta paralisação do grupo por conflitos internos; comenta ainda sobre a relação do Brasil com a América Latina e a África.

A defesa é apontada como um dos principais desafios da política externa brasileira nos próximos anos. O alerta foi feito por Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente, em evento na Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo (SP).

Segundo o assessor, a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e a escalada de conflitos internacionais elevam a vulnerabilidade do Brasil. Mesmo assim, não há ameaça objetiva identificada contra reservas de petróleo ou contra o programa nuclear nacional.

Faleiro afirmou que o Brasil precisa decidir sobre o nível de investimento em defesa. Ele citou o dilema social: há quem estime o país pacífico demais para sofrer ataques e quem julgue irrelevante ampliar as forças armadas diante da desigualdade militar.

Defesa: dilema estratégico

Conflitos assimétricos, como EUA versus Irã, mostram caminhos possíveis para o Brasil. O assessor destacou a importância de uma dissuasão eficaz, ressaltando a vulnerabilidade do país e a necessidade de planejamento na área de defesa.

Além do tema central, Faleiro enumerou outros quatro grandes desafios da política externa: minerais críticos e terras raras, soberania digital, crime organizado transnacional, integração regional e relações com países africanos.

Minerais críticos e terras raras

Sobre minerais estratégicos, o assessor disse que o arcabouço regulatório está defasado. A gestão mencionou a criação de um Conselho Nacional de Minerais Críticos vinculado à Presidência para articular estratégias nacionais.

Ele destacou que o Brasil é o segundo maior detentor de minerais críticos e precisa ampliar investimentos para desenvolver políticas públicas nessa área.

Crime organizado transnacional

No tema, Faleiro pediu atenção para evitar uso político do tema. O Brasil disputou e venceu a direção-geral da Interpol, segundo ele, e pretende avançar com uma pauta regional de combate ao crime organizado.

O assessor sugeriu uma atuação proativa na América Latina, buscando cooperação para enfrentar o crime transnacional de forma integrada.

Soberania digital

Sobre a soberania digital, o Brasil precisaria acelerar ações, pois o tema evoluiu rapidamente. O país estaria atrasado e precisa de investimentos significativos na frente tecnológica.

Integração regional e africana

Na Americas e no Caribe, a postura brasileira deve buscar avanços diante de uma região fragmentada. Faleiro citou Milei na Argentina e mudanças na Venezuela como entraves à integração da região.

Quanto à África, o Brasil tem relação histórica positiva, mas o acervo institucional ficou defasado. O assessor defendeu repensar instrumentos de cooperação para ampliar a presença brasileira no continente.

Brics e cenários

Sobre o Brics, o assessor afirmou que a expansão do grupo em 2023 gerou conflitos internos entre membros, prejudicando a coesão. Ele reconheceu o impacto de divergências na capacidade de atuação do bloco.

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