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Parece Chornobyl: risco de morar no bairro mais bombardeado de Kiev

Lukianivska, em Kyiv, vive ataques contínuos que agravam danos civis e elevam a tensão psicológica entre moradores

Pedestrians walk past street vendors next to a heavily damaged building near the Lukianivska metro station last month. Photograph: Roman Pilipey/AFP/Getty Images
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  • Em Lukianivska, em Kyiv, o McDonald’s próximo à praça ficou com as letras brancas derretidas após incêndio que atingiu um shopping no último grande ataque, em 24 de maio.
  • O restaurante já foi danificado três vezes neste ano, em meio a ataques que atingem estruturas civis na região.
  • A área ao redor da praça tem registro frequente de ataques aéreos nos últimos quatro anos, com impactos visíveis em edifícios e no entorno da estação de metrô.
  • Moradores relatam aumento do medo e ansiedade desde os recentes ataques, incluindo queda de janelas, prédios atingidos e batalhas entre defesa aérea e mísseis.
  • O conflito é visto como indicativo de uma escalada militar mais ampla, com o presidente ucraniano pedindo maior apoio internacional e reforços de defesa para Kyiv.

Na região ao redor da Praça Lukianivska, em Kyiv, os moradores relatam que a situação vem se deteriorando após ataques russos repetidos. Em 24 de maio, um incêndio atingiu um centro comercial próximo, levando à fusão das letras brancas de um McDonald’s que fica na área movimentada.

Dentro do restaurante, o movimento continua normal até o alarme de ataque aéreo. Staff e clientes correm para a estação de metrô ao lado, buscando abrigo bem no subterrâneo. Um dos episódios anteriores causou o desabamento de parte do teto da linha de metro, formando uma névoa de poeira nos andares.

O McDonald’s já foi danificado três vezes neste ano, segundo relatos locais. O mapa de calor de ataques a Kyiv destaca a área de Lukianivska e o entorno de Shevchenkivskyi pela concentração de ataques nos últimos quatro anos.

Na vizinhança, a maior parte da atividade se concentra ainda no mercado de rua sob estruturas degradadas. Floriculturas e barracas de verduras resistem entre prédios danificados e ruas com vidros quebrados. O cenário contrasta com o fluxo de moradores que se deslocam sob tensões constantes.

A fachada vermelha de um antigo prédio da Artem, fábrica de armamentos destruída, fica em frente à entrada da estação, marcando o lado que sustenta, aos olhos dos moradores, a continuidade do ataque. Ao lado, o interior da estação de metrô permanece cercado por placas e demolições.

Anastasiia Prymak, 23 anos, produtora, vive em um bloco de torres próximo. Ela descreve ansiedade constante e ataques de pânico desde o primeiro ataque no apartamento ao redor. Prymak continua frequentando o local, mas admite que o medo persiste.

Ela mostra fotos da vista da janela, com prédios ardendo e infraestruturas danificadas. Prymak relata que um ataque no fim de abril começou a mudar sua percepção sobre a segurança na área, levando-a a considerar mudar de cidade.

As ações de Moscou são discutidas no contexto de uma escalada no uso de ataques contra civis. Autoridades russas indicaram intenção de ampliar ataques urbanos, enquanto Kyiv busca reforçar defesas estratégicas com interceptores de mísseis.

Ao longo do período, autoridades ucranianas têm buscado apoio externo para ampliar defesas. O presidente Volodymyr Zelenskyy tem cobrado promessas de mais interceptores e capacidades de ataques de precisão, em encontros com líderes de países aliados.

Entre os moradores, o comércio local permanece aberto em meio ao receio. Faina Polishchuk, vendedora, afirma que parte do público sumiu, mas que a sobrevivência do negócio depende do retorno gradual dos clientes, mesmo diante do medo.

A região de Lukianivska, com seus edifícios danificados e ruas marcadas, tornou-se um símbolo da persistência do conflito na capital. O conjunto de ataques civis continua a influenciar decisões de deslocamento e hábitos diários dos moradores.

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