- O professor Vinícius Rodrigues Vieira afirma que a perda de apoio dos Estados Unidos é o principal risco estratégico para Israel no longo prazo.
- Segundo ele, mudanças na política americana podem reduzir o suporte histórico de Washington a Tel Aviv.
- Vieira cita resistência de eleitores democratas ao apoio irrestrito a Israel e identifica possíveis impactos de transformações na base republicana ligada ao Movimento Make America Great Again (Maga).
- Ele aponta que tanto democratas quanto republicanos podem apresentar desafios à relação entre EUA e Israel no futuro, por motivos distintos.
- O especialista destaca o crescimento da população ortodoxa em Israel, estimada entre 14% e 15%, apontando que esse aumento sustenta a trajetória política atual do país.
Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Economia da FAAP e de Relações Internacionais da FGV, avalia que a perda de apoio dos EUA é o maior risco estratégico para Israel no cenário internacional. A declaração foi feita em entrevista ao WW Especial, da CNN Brasil.
O especialista aponta que mudanças políticas em Washington podem, a longo prazo, comprometer a sustentação internacional de Israel. Em sua leitura, fatores internos em Israel importam, mas não bastam para explicar uma ameaça de continuidade da cooperação com os EUA.
Para Vieira, o risco maior vem do lado norte do Atlântico. Ele afirma que uma mudança no ambiente político americano pode reduzir significativamente o apoio histórico de Washington a Tel Aviv.
Risco político nos EUA
Ele cita pesquisas que indicam resistência crescente entre eleitores democratas ao apoio irrestrito a Israel. Segundo Vieira, até três quartos dos democratas podem ser contrários a manter o apoio incondicional, ainda que não haja ruptura total.
O professor também observa transformações na base republicana ligada ao movimento Make America Great Again (MAGA). A argumentação aponta para um componente identitário ligado a uma leitura de valores ainda mais conservadora.
Vieira destaca o debate sobre se judeus são vistos como brancos no contexto americano, lembrando que, até 1945, eram amplamente excluídos do mainstream. O ponto, segundo ele, reforça a fragilidade de alianças sob pressões ideológicas.
Mudanças demográficas em Israel
O especialista alerta que, independentemente do eixo político, setores determinados da população podem influenciar a relação com os EUA. A agenda interna pode ampliar ou reduzir o apoio externo, conforme o curso político adotado.
Conforme Vieira, as mudanças demográficas em Israel fortalecem incentivos para manter a trajetória atual. A população ortodoxa tem crescido significativamente nos últimos 25 anos, passando de cerca de 7% para entre 14% e 15%.
Ao concluir, o professor ressalta que tanto democratas quanto republicanos podem apresentar desafios à relação com Tel Aviv, caso Israel permaneça no eixo atual de políticas e alianças. O cenário é descrito como de riscos para o alinhamento estratégico com Washington.
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