- Brasileiros que obtiveram certificado de cidadania canadense recentemente estão sendo solicitados a devolvê-lo enquanto ocorre uma revisão adicional.
- Cartas do Ministério da Imigração indicam que os destinatários “podem não ter direito” ao certificado e pedem o retorno, com a revisão restrita aos casos individuais.
- Pessoas afetadas, como Shawn Davis Mooney ( Victoria) e Rana Charron (Cleveland), apresentaram documentação extensa; seus certificados foram emitidos e agora estão sob avaliação.
- Se a revisão confirmar o direito, o certificado será devolvido; algumas pessoas já estão se preparando para devolver o documento e continuam com dúvidas sobre o status.
- O governo informou que mais de 12 mil aplicações foram recebidas nos primeiros meses após a lei “Lost Canadians”; a maioria aprovada para pessoas nascidas nos Estados Unidos, com a revisão buscando justiça e consistência.
Apos receberem certidões de cidadania canadense, alguns americanos estão sendo chamados a devolver os documentos, enquanto a imigração analisa os casos. As cartas, enviadas pelo ministério da Imigração, sugerem que os certificados podem não pertencer aos destinatários e solicitam a devolução.
As mensagens foram enviadas a um número não divulgado de pessoas que obtiveram a cidadania por laços familiares, sob uma lei aprovada em dezembro. O ministério confirmou à BBC que há apenas um “número limitado” de casos sob revisão, com foco no processamento individual.
Quem recebeu as cartas relata surpresa e dúvidas quanto ao status. Em Victoria, Canadá, Shawn Davis Mooney e o marido receberam a notificação após solicitar a cidadania por meio da norma sobre os chamados Lost Canadians. Mooney já havia obtido o certificado em fevereiro, com base em documentos que comprovavam um bisavô nascido em New Brunswick.
Mooney descreveu a comunicação como devastadora e afirmou ter enviado 114 páginas de evidências. Segundo a carta, assinada pela Registradora da Cidadania, Peggy Sun, o certificado pode ser revogado por documentação inadequada. Ele diz que o processo foi exaustivo e que a situação gera insegurança quanto ao status no país.
Outra beneficiária, Rana Charron, que vive em Cleveland, Ohio, recebeu a mensagem idêntica. Ela utilizou registros de censo para provar a descendência francesa-québecois, sem certificados de nascimento ou batismo da época. A aplicação foi aprovada e o certificado já havia sido recebido; agora, prepara-se para devolvê-lo.
A advogada Lisa Middlemiss, de Montreal, comentou que ver as cartas foi chocante. Ela afirmou que, em termos legais, a retirada de cidadania ocorre apenas em circunstâncias muito específicas, e que a divulgação dessas notificações pode sinalizar uma mensagem inadequada sobre o processo.
Dados oficiais mostram que o Canadá recebeu mais de 12 mil candidaturas nos primeiros meses após o marco legal. A maioria das aprovações ocorreu para pessoas nascidas nos EUA, seguidas de casos de quem nasceu no México e no Reino Unido. Não há dados públicos sobre rejeições.
O ministério disse que cada aplicação passou por avaliadores treinados antes da concessão dos certificados. Em seguida, acrescentou que está revisando esses casos para assegurar tratamento justo, consistente e conforme a lei. Charron mantém a intenção de seguir com o processo, embora a dúvida persista.
Repercussões e próximos passos
A situação levanta dúvidas sobre a continuidade dos certificados já emitidos. Indivíduos sob revisão receberão oportunidades para apresentar novas evidências, segundo a pasta. Ainda não há prazo divulgado para a conclusão das avaliações.
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