- Um resort de luxo em ilha de Sazan, na Albânia, previsto por Ivanka Trump e Jared Kushner, tornou-se centro de protestos que já duram 14 dias em Tirana.
- O governo de Edi Rama diz que o projeto pode impulsionar o turismo e a adesão à União Europeia, mas a população exige o cancelamento das obras.
- Ambientalistas alertam que a obra pode atingir áreas de biodiversidade, com pelo menos quarenta organizações pedindo suspensão; máquinas já atuam no local desde maio.
- A Procuradoria Especial da Albânia abriu investigação sobre possíveis irregularidades; houve confisco de ativos no valor de 128,3 milhões de euros de uma empresa envolvida na venda de terrenos da região.
- O projeto envolve investimentos entre 1,4 bilhão de euros e 4 bilhões de euros; a designação de investidor estratégico gerou suspeitas de falta de transparência e corrupção, em meio a histórico de disputas de terras no país.
O resort de luxo ligado a Ivanka Trump e Jared Kushner, na Albânia, tornou-se alvo de uma crise social e política, com milhares de manifestantes em Tirana há 14 dias. O projeto envolve a ilha de Sazan e a costa de Zvernec, e é visto como oportunidade de turismo e de aproximação à UE pelo governo.
Os protestos, que incluem reivindicações de cancelamento imediato das obras, ganham contorno ambiental. Organizações alertam que áreas de biodiversidade, abrigando flamingos, focas e tartarugas marinhas, podem sofrer danos com as obras iniciadas em maio. Grupos pedem suspensão das operações.
Ivanka Trump declarou ter descoberto a ilha por acaso durante um nado com amigos, o que gerou críticas sobre soberania nacional. A fala foi recebida como insensível por parte da população que questiona a presença de investidores estrangeiros em áreas estratégicamente protegidas.
Investigações e controvérsias
A Procuradoria Especial da Albânia abriu apuração sobre irregularidades ligadas ao empreendimento. O tribunal já determinou o confisco de ativos de uma empresa envolvida na venda de terrenos na área, em cerca de 128,3 milhões de euros.
Os investimentos do projeto são estimados entre 1,4 bilhão de euros e 4 bilhões de euros. A empresa associada a Kushner recebeu status de investidor estratégico, o que facilita a atuação governamental, despertando preocupações sobre transparência.
A história de disputas de terras na Albânia, desde a transição econômica pós-Comunismo, contribui para o tom de desconfiança em relação ao projeto. Conflitos jurídicos e até homicídios já marcaram esse cenário no país.
Um ponto de comparação internacional surge com um empreendimento semelhante de Kushner na Sérvia, que foi cancelado neste ano após a prisão de um ministro por abusos de poder, servindo como alerta para a região dos Balcãs.
Apesar da pressão de ruas e de confrontos com a polícia, o primeiro-ministro Rama sustenta a continuidade do investimento. Ele informou que não há possibilidade de interromper as obras, atribuindo parte das manifestações a suposta manipulação externa.
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