- Um ano após o acidente do voo AI171, em Ahmedabad, que matou 260 pessoas, investigadores ainda não confirmam a causa com certeza.
- O relatório preliminar indica que comutadores de combustível foram movidos para a posição cut-off segundos após a decolagem, cortando combustível aos dois motores e provocando a perda de potência.
- A gravação de cockpit gerou controvérsias: um piloto pergunta por que houve a ação, a resposta supostamente foi “I did not” e as vozes não foram identificadas de forma conclusiva.
- A apuração segue cercada de controvérsias e atrasos, com especialistas citando várias hipóteses — técnica, humana e até falha elétrica — e críticas ao foco excessivo no cockpit.
- Os dois motores GE Aerospace GEnx estão sob análise contínua, com a dúvida central sobre se a perda de potência ocorreu antes ou depois do corte de combustível e qual foi o papel do RAT (turbina de ar de emergência).
Avião Air India 171 caiu minutos após a decolagem de Ahmedabad, no oeste da Índia, em junho do ano passado, matando 260 pessoas. Um ano depois, não há conclusão definitiva sobre a causa, e o relatório final ainda não foi divulgado. As investigações seguem analisando dados de gravadores, sistemas da aeronave, componentes do motor, registros de manutenção e fatores humanos.
O que se sabe preliminarmente é que, segundos após a decolagem, as alavancas de controle de combustível da Dreamliner 787 recuaram abruptamente para a posição de corte, levando à interrupção do combustível e à perda total de potência dos dois motores. Os investigadores também examinam a possibilidade de ação deliberada no cockpit, com debates sobre o diálogo entre os pilotos no momento do incidente.
A defesa da investigação sustenta que o atraso no relatório pode obedecer a regras da ICAO que autorizam mais tempo para concluir uma apuração complexa. Analistas destacam que a curiosidade pública é intensa na Índia, e que a hipótese de atuação intencional precisa ser comprovada por evidências sólidas.
Alguns peritos avaliam que o relatório inicial não reúne todas as informações, alimentando controvérsias. Grupos de pilotos e defensores das vítimas apontam que o foco excessivo no cockpit pode ofuscar condições técnicas da aeronave. Também há fontes que destacam mensagens de monitoramento da saúde dos sistemas antes e durante o voo.
Entre as questões em aberto estão o momento exato da perda de potência dos motores, o instante de movimento das alavancas de combustível e se houve falha técnica anterior ao voo. A avaliação sobre se a constatação de falha elétrica ou de outros sistemas pode ter causado a frenagem automática é tema de debate entre especialistas.
A aeronave, um Boeing 787-8 com motores GE, tinha histórico de manutenção regular e certificação de aeronavegabilidade válida. Duas turbinas do motor, com centenas de centenas de horas de voo, permaneciam dentro da vida útil prevista. Ainda não houve divulgação de uma causa única que explique o estouro do rastro de combustíveis.
O RAT, turbina de emergência, também é objeto de análise. Questiona-se se ele foi acionado precocemente, antes ou depois da perda de potência dos motores, e qual o tempo de entrega de energia hidráulica de reserva. Novos testes e dados de simuladores podem esclarecer esse ponto.
Alguns pesquisadores investigativos sugerem que uma possível falha elétrica geral pode ter causado uma reinicialização dos computadores de voo logo após a decolagem, levando o sistema de proteção a cortar combustível. Essa hipótese envolve a leitura de dados do gravador de voz da cabine e a correlação com os dados de voo. As informações completas ainda não foram divulgadas.
As partes envolvidas permanecem sob o escrutínio público: a Air India, autoridades regulatórias, pilotos e famílias das vítimas, que aguardam respostas consistentes. Investigações de acidentes aéreos costumam apresentar fases com avanços graduais até a divulgação do relatório final.
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