- A Europol afirma que o PCC atua com todas as redes criminosas da Europa que traficam cocaína da América Latina para a região.
- A droga chega à Europa com participação do PCC, que funciona como operador logístico entre o Brasil e o continente.
- Autoridades europeias não adotam postura para classificar grupos como terroristas; nos Estados Unidos o PCC e o Comando Vermelho foram designados como organizações terroristas.
- Brasil e União Europeia assinaram, em 2025, acordo para ampliar a troca de informações e operações conjuntas entre a Polícia Federal e a Europol.
- Em Santos, de janeiro até o início de junho foram apreendidos 1.412 quilos de cocaína com destino a Antuérpia e Roterdã; em 2025 o total chegou a 7.378 quilos.
O PCC, facção brasileira, atua hoje em redes criminosas da Europa que traficam cocaína da América Latina para o continente, segundo a Europol. A agência ressalta que o grupo participa como operador logístico em várias operações. Oorth, porta-voz da Europol, concedeu entrevista ao Valor.
Sediada em Haia, a Europol coordena inteligência entre os estados-membros e países parceiros para combater crime organizado transnacional. Oorth destaca que a cooperação entre grupos europeus de crime é cada vez mais comum, com cinco a oito organizações envolvidas em uma única operação.
Em operações recentes, a Europol desmantelou um esquema envolvendo um cartel mexicano, o PCC e outras redes que ligavam a Bolívia a Santos e Antuérpia. Um grupo marroquino-belga cuidava da retirada da droga no porto, com distribuição a grupos albaneses pela Europa.
O PCC não é visto pela Europol como um vendedor dominante de droga, mas como um elo logístico crucial que facilita o transporte de cocaína do Brasil para a Europa. Segundo a agência, nenhum grupo sai do Brasil sem a participação do PCC em algum estágio.
A instituição estima que o valor do fluxo financeiro relacionado ao PCC na Europa chegue a bilhões de euros. O dinheiro é recomposto na economia formal e, posteriormente, utilizado em novas atividades criminosas, segundo o porta-voz.
A cocaína domina o cenário de drogas na Europa, segundo dados da EU Drug Agency. Em 2024, respondeu por 27% das mortes por overdose e figura como principal preocupação de autoridades, conectada a uma rede de crimes que vai além do tráfico.
As operações envolvem lavagem de dinheiro, corrupção, falsificação, homicídios e tráfico de armas. Relatos de investigações apontam que armas usadas no pagamento chegam a países como o Paquistão.
A Europol não emite juízos sobre se o PCC deve ou não ser classificado como organização terrorista. A decisão de designação cabe a cada país europeu, segundo o porta-voz. Ele afirma que não há, no momento, países querendo classificar o PCC ou outras facções como terroristas.
Segundo a visão da Europol, grupos criminosos não são considerados terroristas porque, segundo eles, não buscam alterar o sistema político por meio de violência. A aposta é reduzir o fluxo financeiro ilícito para sufocar as redes.
Para enfrentar redes como o PCC, a Europol defende maior cooperação entre forças policiais, sistema judiciário, bancos e plataformas digitais, para detectar e bloquear ativos ilícitos. O objetivo é tornar as operações menos lucrativas.
Em outubro de 2024, autoridades americanas passaram a classificar PCC e CV como organizações terroristas, o que gerou debates. A Europol não adota posição oficial sobre esse rótulo na Europa, reforçando que a decisão é soberania nacional.
Na prática, o Brasil intensifica ações contra o PCC e o CV. A PF mantém parcerias com a Europol e com os EUA, com foco em narcotráfico, crimes cibernéticos e crimes ambientais, entre outros.
Entre janeiro e junho de 2025, o porto de Santos, o maior do Brasil, registrou a apreensão de 1.412 quilos de cocaína prestes a seguir para Antuérpia, Roterdã e portos europeus. No acumulado de 2025, as apreensões no porto somam 7.378 quilos.
O valor estimado das drogas apreendidas em 2024 no Brasil aponta para receitas de dezenas de milhões de euros, segundo parâmetros da EUDA. Ainda assim, especialistas destacam que grande parte do dinheiro ilícito não é apreendido.
As autoridades reconhecem que as cifras apreendidas representam apenas uma parcela do fluxo ilícito que cruza o Atlântico, com cargas ocultas em navios e contêineres, e que o dinheiro continua circulando pela economia legal.
Entre na conversa da comunidade