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França acelera uso de IA e anuncia investimento de 655 milhões de euros

França acelera IA com investimento de € 655 milhões e inicia uso em serviços públicos, buscando autonomia tecnológica e ruptura com Palantir

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, em sessão do Parlamento. Foto de arquivo de 23 de janeiro de 2026.
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  • França anuncia investimento de € 655 milhões em IA, via programa França 2030, com implementação em larga escala nos serviços públicos.
  • objetivo é ampliar autonomia tecnológica e não depender de potências estrangeiras, mantendo dados estatais protegidos.
  • dgsi encerrará parceria com Palantir e passará a usar a empresa francesa chapsVision.
  • governo pretende incluir uso de IA como critério orçamentário a partir de 2027; será lançado o chatbot “Assistente” para servidores, inicialmente com 10 mil usuários e expansão para cerca de 1 milhão, custo estimado em € 700 mil.
  • ações integram reorganização dos serviços digitais após ataque cibernético, com criação de Autoridade estatal de IA e Digital, GenIAl para processamento de dados e IA no Ameli para orientação de pacientes.

A França anunciou um avanço significativo na sua estratégia de IA, com investimento de € 655 milhões para acelerar a adoção da tecnologia no setor público. O anúncio ocorreu antes da abertura da VivaTech, em Paris, feito pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu. A medida busca ampliar a autonomia tecnológica do país diante dos EUA e da China, protegendo dados estatais.

Segundo Lecornu, após fases de teste, o país vai implementar a IA em larga escala nos serviços públicos. O valor será financiado pelo programa França 2030, mirando infraestrutura, capacidade computacional, pesquisa e suporte a empresas ligadas à IA. A meta é reduzir dependência de fornecedores estrangeiros.

Autonomia e parceria com a indústria

A autoridade francesa informou a mudança na parceria da DGSI com a Palantir, substituída pela empresa nacional ChapsVision. A decisão visa evitar dependências estratégicas no domínio digital e proteger dados sensíveis. Lecornu destacou que a medida faz parte de uma política de soberania tecnológica.

A troca de fornecedores ocorre em meio a tensões globais sobre acesso a modelos de IA de empresas estrangeiras. A França reforça que pretende conduzir o desenvolvimento tecnológico com controle estatal sobre dados públicos e infraestrutura crítica.

Adoção prática da IA no funcionalismo

Para ampliar o uso, a administração planeja incluir a IA como critério de decisões orçamentárias a partir de 2027. Uma ferramenta de suporte, chamada Assistente, será implantada no funcionalismo após testes com 10 mil servidores e expansão para cerca de 1 milhão de funcionários, entre 2,6 milhões ativos.

O Assistente, desenvolvido com modelos da startup francesa Mistral, terá custo estimado em € 700 mil. Negociações com sindicatos sobre a adoção devem começar no fim da semana. A ferramenta visa agilizar procedimentos legais, análise de pedidos de financiamento acadêmico e reduzir o uso de IA não autorizada.

Setores da saúde e serviços digitais

As medidas integram-se a uma reorganização dos serviços digitais do Estado, após um ataque cibernético que atingiu a ANTS e comprometeu dados de milhões de usuários. Em maio, surgiu a criação de uma Autoridade de IA e Digital em parceria com a ANSSI.

Além disso, ministérios da Justiça e do Interior terão acesso ao portal GenIAl, usado pelas Forças Armadas, para processar dados sensíveis e acelerar vistos. Na saúde, o Ameli contará com um assistente de IA para orientar pacientes.

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