- O secretário-geral da ONU, António Guterres, desembarcou no Haiti para uma visita de solidariedade em meio à escalada da violência das gangues.
- Desde o começo do ano, pelo menos 2.300 pessoas morreram e cerca de 1,5 milhão ficaram deslocadas, segundo dados da ONU.
- As gangues dominam aproximadamente 90% de Porto Príncipe, ampliando o controle sobre bairros estratégicos e agravando a crise humanitária.
- O Conselho de Segurança autorizou a criação de uma nova Força de Repressão às Gangues, com até 5.500 integrantes, para apoiar a segurança no país.
- A assistência internacional está abaixo do necessário: o plano da ONU para 2026 é de US$ 880 milhões, com menos de um quarto financiado; a atuação também enfrenta críticas e rejeição entre parte da população haitiana.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, desembarca no Haiti nesta terça-feira, 16, para uma visita de solidariedade em meio à escalada da violência de gangues. A comitiva ocorre em Porto Príncipe, com foco em vítimas e no contexto de crise humanitária que perdura. A viagem acontece diante da preparação de uma nova força internacional para conter grupos armados.
Desde o começo de 2026, pelo menos 2.300 pessoas morreram em decorrência de confrontos e crimes cometidos por gangues, segundo o Alto Comissariado para os Direitos Humanos. O Haiti vive colapso institucional, com cerca de 1,5 milhão de deslocados internos.
Estudos apontam que gangues ampliaram seu controle na capital, ocupando áreas-chave e avançando para regiões antes menos atingidas. O deslocamento forçado aumenta a pressão sobre serviços básicos e infraestrutura já fragilizada.
A comunidade internacional enfrenta críticas sobre o histórico de atuação no Haiti. Mesmo assim, a ONU negocia medidas para reforçar resposta humanitária e de segurança, inclusive com apoio logístico à nova força.
Contexto da crise
Especialistas destacam que o país enfrenta atraso institucional, eleições interrompidas e autoridades enfraquecidas, o que dificulta ações de resposta direta.
A violência tem impacto direto na população: milhares de casas desocupadas, acesso restrito a serviços essenciais e insegurança alimentar generalizada.
A ONU calcula que a nova Força de Repressão às Gangues poderá ter até 5.500 integrantes, com apoio logístico de um escritório da organização. A iniciativa visa substituir a atual Missão Multinacional de Apoio à Segurança, criticada por limitado alcance.
Desdobramentos recentes
Polícia haitiana, com drones de empresas privadas e apoio de grupos de autodefesa, tem freado parcialmente o avanço de gangues. Ainda assim, estimativas indicam que 90% da capital permanece sob domínio de facções armadas, segundo relatório apresentado ao Conselho de Segurança.
Entre 1.100 feridos e 99 sequestrados figuram no total de danos já deste ano, além das 2.300 mortes. Dados da ONU refletem a magnitude da crise e a pressão por respostas eficazes.
A visita de Guterres busca ampliar visibilidade humanitária e indicar apoio às vítimas, sem representar consenso total entre a população haitiana. A eficácia dependerá de ações concretas de segurança e reconstrução institucional.
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