- Mazaar, traficante em Mastung, Balochistão, usa uma moto para transportar cinco litros de 70 litros cada, totalizando cerca de 272 kg de combustível.
- O combustível é adquirido em um mercado a céu aberto e é contrabandeado do Irã para o Paquistão, chegando a Sindh e a outros mercados.
- O contrabando tem aumentado nos últimos meses, com a guerra entre EUA e Israel contra o Irã reduzindo o fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz.
- As viagens ocorrem em temperaturas de até 50°C, o que aumenta o risco de vazamentos e explosões; milhares de pessoas já dependem desse tráfico na região.
- Autoridades paquistanesas afirmam combater o contrabando, com apreensões que somaram cerca de 1,3 bilhão de rúpias paquistanesas no último ano, enquanto críticos dizem que é uma âncora econômica local.
Mazaar, motociclista de Mastung, Balochistão, carrega na moto botijões de plástico com gasolina, amarrados com cordas. O peso total chega a aproximadamente 272 kg, distribuído aos lados da bike.
O combustível contrabandeado vem do Irã e é vendido em mercados abertos antes de seguir para o interior do Paquistão. Caminhões recolhem os tambores para pontos de venda informais na fronteira com o Irã.
As operações ocorrem há décadas, mas houve sinal de aumento nos últimos meses. O conflito na região afeta o fornecimento de petróleo via Estreito de Hormuz, elevando preços e fortalecendo a demanda por combustível mais barato vindo do Irã.
Mazaar afirma que não tem opção, pois o calor extremo, os preços altos e a necessidade de sustento o obrigam a percorrer cerca de 350 km até a província vizinha de Sindh. Balochistão registra temperaturas de até 50 C.
Os canisters podem inchar com o calor, aumentando o risco de vazamento, incêndio ou explosão durante o trajeto. Smugglers enfrentam ainda o desafio de conflitos com forças de segurança e grupos separatistas na região.
Contexto da prática
Mercados ao ar livre funcionam como pontos de compra para o combustível ilegal, que é then contrabandeado para postos não oficiais e mercados informais. Em 2024, estimativas de agências de inteligência paquistanesas apontaram que o valor do combustível contrabandeado poderia chegar a US$ 1 bilhão por ano.
O aumento do fluxo de petróleo cruzando a fronteira foi destacado por refinarias paquistanesas em maio, que cobraram intervenção governamental. O setor de petróleo no Paquistão também relatou quedas históricas nas vendas oficiais neste período.
Painel de atores e motivações
Fida Hussain Dashti, ex-presidente da Câmara de Quetta, sustenta que a região depende economicamente do contrabando devido à escassez de oportunidades de emprego. A atuação está ligada a redes associadas ao regime, conforme especialistas em crime transnacional.
O governo paquistanês nega envolvimento de departamentos oficiais e ressalta operações de combate ao contrabando, com detenção de combustível estimadas em bilhões de rúpias no último ano. A neutralidade governamental permanece central no debate.
Mazaar, na casa dos 30, sustenta a família com a renda obtida com o contrabando. Relata que a atividade substituiu a agricultura durante a seca, aumentando a pressão financeira diante do aumento de custos.
Em meio ao esforço de quem depende da prática, o Paquistão atua como mediador entre Irã e EUA em busca de soluções diplomáticas, enquanto o contrabando persiste em áreas remotas da fronteira de 900 km. As condições climáticas intensificam os riscos ao longo do trajeto.
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