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Por que crianças somalis foram alvos de ataques de drones dos EUA

Jamaame: ataque dos EUA deixa ao menos doze civis mortos, oito crianças, e não há investigação ou responsabilização anunciadas

The drone attack on Jamaame was the deadliest US airstrike for civilians in Somalia during either Trump administration. The US had not killed so many innocent people in one incident in the east African country for 18 years.
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  • Em Jamaame, no sul da Somália, uma ofensiva de drones dos Estados Unidos em 15 de novembro de 2025 deixou pelo menos 12 mortos, oito deles crianças, segundo investigação do Guardian.
  • A ONU/organizações de monitoramento não registraram confirmação de vítimas civis pelo governo dos EUA, e não houve abertura de investigação ou responsabilização até hoje.
  • Testemunhas relatam que a maioria das vítimas eram mulheres, crianças e idosos em áreas residenciais e em uma escola de Alcorão próxima, sem presença aparente de combatentes em Jamaame.
  • A operação ocorre em um contexto de crescente uso de drones na Somália, com regras de engajamento relaxadas e aumento do número de ataques nos últimos anos.
  • Famílias pedem explicações, compensação e transparência sobre quem foi o alvo e por que houve danos tão extensos, enquanto moradores relatam intenso medo contínuo causado pelos drones.

Três meses após promover uma ofensiva na cidade de Jamaame, no sul da Somália, a imprensa passou a reconstruir o que aconteceu naquele dia. Em 15 de novembro de 2025, por volta das 9h, uma série de explosões deixou várias casas destruídas e ceifou ao menos 12 vidas, entre elas oito crianças. O ataque foi realizado por forças dos EUA, que não reconheceram oficialmente as mortes civis.

O episódio ocorreu em Jamaame, próximo ao rio Jubba, em uma área dominada por agricultores e famílias há décadas. Testemunhas afirmam que o bairro Burburka e a escola Corânica foram atingidos, com imóveis residenciais igualmente destruídos. Os relatos apontam para várias explosões durante o ataque, que também atingiu uma escola frequentada por crianças pouco antes do ataque.

Entre os mortos estavam uma mãe grávida, Safiyo Hassan Abukar, e seus familiares, incluindo um menino de 10 anos que estava ao lado da mãe. Outros membros da mesma família, como crianças de 6, 7 e 4 anos, também foram mortos, além de voluntários e um imam local. Familiares descrevem reconstrução traumática das cenas, com corpos arrancados pela violência.

Segundo a Guardian, a operação foi classificada pelas autoridades norte-americanas como parte de uma ação para degradar a capacidade de al-Shabaab de ameaçar o território dos EUA e seus aliados. No entanto, moradores locais afirmam que não havia presença do grupo na cidade, apenas moradores e crianças, aumentando as perguntas sobre a finalidade do ataque.

De acordo com especialistas, o uso de drones de alta tecnologia permite identificar alvos com precisão, mas ainda assim pode haver falhas graves na avaliação de alvos civis. Fotografias, vídeos e depoimentos coletados no local apontam que muitas das vítimas eram civis, não combatentes.

A apuração também levanta questões sobre as regras de engajamento e a coordenação entre forças americanas e autoridades locais. Relatos indicam que alguns ataques teriam sido autorizados com pouca supervisão ou após breve contato com autoridades somalis, o que levanta dúvidas sobre a responsabilidade e a transparência do episódio.

Apesar dos pedidos de esclarecimento, não houve confirmação oficial sobre o número de mortos nem sobre identidades ou possíveis responsabilizações. A administração dos EUA não comentou os dados de vítimas civis, e a resposta estatal somali permanece restrita, sem divulgação de informações de vítimas ou de culpados.

O ataque em Jamaame ocorre em meio a um aumento significativo do ritmo de operações dos EUA na Somália, com dezenas de ataques registrados por organizações de monitoramento. Críticos afirmam que a estratégia poderia impulsionar recrutamento por grupos extremistas e questionam a eficácia de tais ações para degradar ameaças.

Para as famílias enlutadas, a busca por respostas continua sem perspectivas de reparação. Relatos indicam que a violência não foi reconhecida formalmente como violação do direito internacional, tornando difícil o acesso a compensações, enquanto a cidade convive com o medo de novos ataques e a presença constante de drones no céu.

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