- Em Jamaame, no sul da Somália, uma ofensiva de drones dos Estados Unidos em 15 de novembro de 2025 deixou pelo menos 12 mortos, oito deles crianças, segundo investigação do Guardian.
- A ONU/organizações de monitoramento não registraram confirmação de vítimas civis pelo governo dos EUA, e não houve abertura de investigação ou responsabilização até hoje.
- Testemunhas relatam que a maioria das vítimas eram mulheres, crianças e idosos em áreas residenciais e em uma escola de Alcorão próxima, sem presença aparente de combatentes em Jamaame.
- A operação ocorre em um contexto de crescente uso de drones na Somália, com regras de engajamento relaxadas e aumento do número de ataques nos últimos anos.
- Famílias pedem explicações, compensação e transparência sobre quem foi o alvo e por que houve danos tão extensos, enquanto moradores relatam intenso medo contínuo causado pelos drones.
Três meses após promover uma ofensiva na cidade de Jamaame, no sul da Somália, a imprensa passou a reconstruir o que aconteceu naquele dia. Em 15 de novembro de 2025, por volta das 9h, uma série de explosões deixou várias casas destruídas e ceifou ao menos 12 vidas, entre elas oito crianças. O ataque foi realizado por forças dos EUA, que não reconheceram oficialmente as mortes civis.
O episódio ocorreu em Jamaame, próximo ao rio Jubba, em uma área dominada por agricultores e famílias há décadas. Testemunhas afirmam que o bairro Burburka e a escola Corânica foram atingidos, com imóveis residenciais igualmente destruídos. Os relatos apontam para várias explosões durante o ataque, que também atingiu uma escola frequentada por crianças pouco antes do ataque.
Entre os mortos estavam uma mãe grávida, Safiyo Hassan Abukar, e seus familiares, incluindo um menino de 10 anos que estava ao lado da mãe. Outros membros da mesma família, como crianças de 6, 7 e 4 anos, também foram mortos, além de voluntários e um imam local. Familiares descrevem reconstrução traumática das cenas, com corpos arrancados pela violência.
Segundo a Guardian, a operação foi classificada pelas autoridades norte-americanas como parte de uma ação para degradar a capacidade de al-Shabaab de ameaçar o território dos EUA e seus aliados. No entanto, moradores locais afirmam que não havia presença do grupo na cidade, apenas moradores e crianças, aumentando as perguntas sobre a finalidade do ataque.
De acordo com especialistas, o uso de drones de alta tecnologia permite identificar alvos com precisão, mas ainda assim pode haver falhas graves na avaliação de alvos civis. Fotografias, vídeos e depoimentos coletados no local apontam que muitas das vítimas eram civis, não combatentes.
A apuração também levanta questões sobre as regras de engajamento e a coordenação entre forças americanas e autoridades locais. Relatos indicam que alguns ataques teriam sido autorizados com pouca supervisão ou após breve contato com autoridades somalis, o que levanta dúvidas sobre a responsabilidade e a transparência do episódio.
Apesar dos pedidos de esclarecimento, não houve confirmação oficial sobre o número de mortos nem sobre identidades ou possíveis responsabilizações. A administração dos EUA não comentou os dados de vítimas civis, e a resposta estatal somali permanece restrita, sem divulgação de informações de vítimas ou de culpados.
O ataque em Jamaame ocorre em meio a um aumento significativo do ritmo de operações dos EUA na Somália, com dezenas de ataques registrados por organizações de monitoramento. Críticos afirmam que a estratégia poderia impulsionar recrutamento por grupos extremistas e questionam a eficácia de tais ações para degradar ameaças.
Para as famílias enlutadas, a busca por respostas continua sem perspectivas de reparação. Relatos indicam que a violência não foi reconhecida formalmente como violação do direito internacional, tornando difícil o acesso a compensações, enquanto a cidade convive com o medo de novos ataques e a presença constante de drones no céu.
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