- EUA e Irã anunciaram acordo preliminar para encerrar a guerra, com foco na reabertura do Estreito de Ormuz, passagem de cerca de um quinto do petróleo mundial.
- Reabrir o estreito não é simples: o acordo é frágil e a remoção de minas navais é um pré-requisito, com estimativas entre quarenta a cinquenta dias ou até seis meses para a operação.
- Países europeus estudam apoiar a remoção de minas, como parte de uma missão defensiva; a Alemanha disse que só entra em ação se houver cessação de hostilidades.
- Mesmo com a abertura, os custos de seguro contra riscos de guerra permanecem altos, variando entre 1% e 4% do valor da embarcação por travessia.
- A retomada das viagens depende de corredores seguros e confiança restaurada; centenas de navios carregados e vazios estão retidos e cerca de 14 tripulantes morreram em ataques no Golfo.
O acordo preliminar entre EUA e Irã, anunciado neste domingo (14/06), aponta para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota que facilita o trânsito de cerca de 20% do petróleo mundial. A notícia elevou os ânimos dos mercados, enquanto perduram dúvidas sobre a credibilidade do acordo.
Especialistas destacam que reabrir Ormuz não equivale a abrir uma rodovia. Mesmo com a promessa de normalizar o fluxo, há entraves técnicos e políticos para retomar o patamar pré-conflito. O texto do acordo ainda não foi divulgado.
Os impactos vão além da linguagem diplomática. O acordo enfrenta o desafio de remover minas navais instaladas durante o conflito, tarefa que depende da localização, remoção e verificação de segurança da via marítima.
Remoção das minas navais
Se cessarem as hostilidades, o Irã precisará localizar e retirar minas para tornar Ormuz transitável. Operações com navios varredores e drones podem acelerar a tarefa, mas algumas unidades podem estar desorientadas ou difíceis de achar.
A estimativa é de 40 a 50 dias para a localização e remoção, segundo avaliações ocidentais. Pode levar mais tempo segundo especialistas da Kpler, citada pela AP, em torno de seis meses para uma remoção completa.
Independente da remoção, observadores independentes deverão confirmar a segurança da passagem. A Alemanha condicionou participação a cessar dos combates e apoio conjunto de EUA e Irã.
Seguro e custos operacionais
Mesmo após a remoção de minas, o seguro para travessias ainda tende a permanecer elevado. Taxas entre 1% e 4% do valor da embarcação são comuns, frente a menos de 0,1% prévia ao conflito.
Navios petroleiros com valor em torno de 200 milhões de dólares enfrentam custos adicionais significativos por travessia. Analistas ressaltam que o mercado aguarda garantias antes de retomar plenamente as operações.
Quando os navios poderão se mover
Mesmo com a abertura, o retorno total demande tempo. A ida e volta até Japão costuma levar entre 45 e 50 dias, com centenas de navios ainda parados no Golfo do Pérsico.
Dados da Bloomberg, via Kpler, indicam que cerca de 300 navios carregados aguardam autorizações, enquanto outros 250 esperam carregamento. Aproximadamente 20 mil tripulantes permanecem a bordo de embarcações retidas.
Instalações energéticas e produção
A reabertura permite, em tese, o retorno gradual de produção de petróleo e gás. Contudo, inspeções de segurança, reparos e retorno de equipes são necessários e podem ser lentos.
Alguns produtores interromperam a extração por falta de espaço de armazenamento. A recuperação completa depende de garantias de fluxo estável, cronogramas de envio e disponibilidade de petroleiros.
Acordo frágil e contexto político
O principal risco é a própria fragilidade do acordo, que permanece como base para negociações futuras. Questões como sanções, aspectos nucleares e apoio a grupos continuam sem resolução.
Teerã sinalizou cobranças de pedágio pela passagem, enquanto Washington defende a livre passagem. A comunidade internacional aponta que permitir controle iraniano pode violar o direito internacional de navegação.
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