- Irã afirma ter assinado eletronicamente um memorando de entendimento com os Estados Unidos para encerrar a guerra na região, descartando uma cerimônia presencial.
- Um funcionário americano disse à AFP que o presidente Donald Trump assinou pessoalmente o documento durante um jantar com o presidente francês, Emmanuel Macron, após a cúpula do G7.
- O acordo prevê a suspensão das sanções americanas à venda de petróleo iraniano e aos portos iranianos a partir da assinatura, com suspensão total apenas se houver um acordo definitivo em até sessenta dias.
- Nos sessenta dias de negociação, serão discutidas formas de diluir as reservas de urânio enriquecido do Irã, com supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica; o Irã deve restabelecer o tráfego no estreito de Hormuz em até trinta dias, sem cobrança inicial.
- Reações internacionais: o G7 viu o acordo como oportunidade histórica; a China pediu aplicação do acordo e gestão prudente do estreito de Hormuz, evitando ingerências externas.
O Irã afirmou nesta quarta-feira (17) ter assinado eletronicamente um memorando de entendimento com os Estados Unidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio. Um funcionário americano disse à AFP que o presidente Donald Trump assinou o documento pessoalmente durante um jantar com Emmanuel Macron, após a cúpula do G7. O Irã, por meio de sua agência estatal, descreveu o ato como finalizado pela assinatura dos presidentes, sem cerimônia presencial.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghai, informou que a assinatura eletrônica substitui a cerimônia presencial anteriormente cogitada para sexta-feira na Suíça. Ele afirmou que o texto está pronto para testar a implementação do acordo, sem detalhar eventuais ajustes adicionais.
Detalhes principais do memorando
O acordo prevê que os Estados Unidos suspendam sanções à venda de petróleo iraniano e o bloqueio a portos iranianos a partir da assinatura, com a possibilidade de suspensão total apenas ao fim de um acordo definitivo, após 60 dias de negociações.
Durante esse período de 60 dias, as partes discutirão um mecanismo para lidar com as reservas de urânio enriquecido do Irã, com diluição supervisionada pela AIEA. O Irã também se compromete a permitir, em 30 dias, o restabelecimento completo do tráfego marítimo no estreito de Hormuz, embora o acordo reconheça que o estreito não voltará ao estado anterior à guerra, com cobrança de tarifas apenas para serviços especiais.
Além disso, o texto prevê que, caso haja um acordo definitivo, os EUA facilitarão um fundo de US$ 300 milhões para reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã, sem participação financeira direta dos EUA. O Irã manterá a passagem segura de navios comerciais pelo estreito de Hormuz por 60 dias, sem cobrança, segundo o memorando.
Reações internacionais
O grupo dos sete membros do G7 elogiou o acordo, descrevendo-o como uma oportunidade histórica para evitar a militarização do Irã e lidar com questões regionais. A China, por meio do ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, afirmou que todas as partes devem cumprir o acordo e evitar ingerências externas, destacando a importância da gestão prudente do estreito de Hormuz.
O Hezbollah, por sua vez, classificou o acordo como uma vitória para o Irã e pediu que o tema fosse aproveitado para expulsar Israel do território libanês. O grupo justificou o apoio ao Irã ao insistir na inclusão da frente libanesa no acordo, durante transmissão de discurso na televisão.
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