- Banco Central chinês divulgou, em junho, um comunicado destacando cooperação em sistemas de pagamento com o Brasil, incluindo o potencial uso do Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML).
- Em Xangai, ocorreu o 4º encontro do Grupo de Trabalho de Cooperação Financeira China-Brasil, com participação do presidente do Banco Central brasileiro, Gabriel Galípolo, e destaque para uso de moeda local e pagamentos transfronteiriços.
- Autoridades chinesas sinalizaram interesse em integrar seus sistemas de pagamento ao Pix para facilitar transferências internacionais.
- Nos Estados Unidos, o Pix é citado como prática comercial desleal e há receio de tratamento preferencial pelo BC brasileiro, que poderia afetar o comércio.
- O SML, administrado pelo BC brasileiro, permite operações entre moedas locais sem dólar; as discussões com a China sobre um modelo semelhante ainda são preliminares.
O Banco Central da China sinalizou interesse em integrar sistemas de pagamento com o Pix brasileiro. A conversa ocorreu durante o 4º encontro do Grupo de Trabalho de Cooperação Financeira China-Brasil, em Xangai, em 9 de junho, com participação de Gabriel Galípolo, presidente do BC brasileiro. O foco foi explorar cooperação em pagamentos transfronteiriços.
O BC chinês divulgou, em junho, um comunicado sobre potencial parceria, destacando o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) como possível modelo de operação entre os dois países. A ideia é facilitar transferências internacionais sem recorrer a moedas intermediárias como o dólar.
Autoridades chinesas já indicaram interesse anterior em integrar seus sistemas ao Pix para tornar operações bilaterais mais rápidas e baratas. O SML hoje é usado no Mercosul para reduzir custos de transações entre países com moedas locais.
Nos EUA, a agência reguladora avaliou o Pix como prática que pode impactar o comércio brasileiro, suspeitando tratamento preferencial do BC brasileiro. A discussão faz parte de uma investigação que resultou em tarifas sobre produtos brasileiros.
Especialistas apontam que a atuação do BC como regulador cria, segundo Washington, um possível conflito de interesses entre o regulador e o operador de pagamentos. A tese envolve efeitos sobre provedores de pagamento norte-americanos.
O encontro em Xangai teve como objetivo debater uso de moeda local, investimentos bilaterais e pagamentos transfronteiriços. O texto oficial ressalta que as partes discutiram a cooperação em sistemas de pagamento para facilitar o comércio bilateral.
O SML permite que exportadores e importadores utilizem moedas locais em operações entre países conveniados, sem passar por uma moeda intermediária. O BC brasileiro atua como intermediário e a taxa varia conforme a relação das moedas.
Ainda sem definição de modelo, as negociações com a China são preliminares. Uma das possibilidades é a criação de mecanismo semelhante ao SML para facilitar transações com o Brasil, aproveitando parcerias já existentes entre a China e outras nações.
Além disso, a China demonstra interesse em integrar seus pagamentos instantâneos ao Pix, embora o tema não seja prioridade imediata para o BC brasileiro. O regulador enfatiza a necessidade de governança, desenvolvimento de negócios e tecnologia.
As conversas ressaltam que a integração de sistemas de pagamento exige acordos de governança sobre troca de moeda e eventual uso do dólar, bem como infraestrutura tecnológica e normas de segurança.
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