- Nabatieh celebra Ashura em meio a guerra, com ruas vazias e edifícios destruídos; a cidade foi fortemente atingida e cerca de oitenta mil pessoas ficaram deslocadas.
- Um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã interrompeu o conflito, mas Israel e Hezbollah continuaram trocando ataques na região, com mortes e feridos relatados.
- O ritual de Ashura ganhou significado especial neste ano, ligado à resistência histórica de Karbala, e houve presença de cartazes de combatentes jovens do Hezbollah.
- Autoridades locais e voluntários de defesa civil trabalham para preparar a cerimônia, limpando escombros do mesquita central e montando banners pretos para esconder os danos.
- Mesmo com o cessar-fogo, muitos moradores não retornaram às suas casas; há relatos de casas destruídas e áreas inacessíveis devido aos ataques.
Nabatieh, no sul do Líbano, realizou a cerimônia de Ashura mesmo com ruas vazias e prédios destruídos. A procissão ocorreu sob marcas da recente guerra entre Hezbollah e Israel, que deixou milhares de mortos e grande parte da cidade devastada. A medida ocorreu após a promessa de cessar-fogo anunciada recentemente, que interrompeu avanços militares na região.
Os habitantes da cidade, que abriga cerca de 80 mil pessoas, estavam deslocados ou retornando de abrigo desde o início do conflito. Nesta Ashura, a comoção ganhou contornos diferentes, exposta pela ausência de muitos ao redor das vias e pela necessidade de limpar escombros para reativar espaços de culto.
Cerca de 200 moradores participaram do rito, em meio a montes de terra e metal retorcido. Posteriormente, equipes de defesa civil iniciaram a remoção de corpos em áreas atingidas por ataques aéreos, buscando localizar vítimas ainda não recuperadas.
As demarcações mostraram cartazes de mártires fixados em pontos estratégicos da cidade, incluindo uma região próxima à vila vizinha de Harouf, onde jovens combatentes da Hezbollah aparecem em fotos impressas em camisetas e pôsteres. O ambiente refletiu um simbolismo de resistência associado ao Ashura.
Entre os presentes, moradores relataram que a data ganhou significado especial diante do contexto de guerra. Um homem de 50 anos relembrou a tragédia de Karbala e destacou que a vida dos mártires continua de alguma forma, apesar das perdas.
A cidade permaneceu sob vigilância de forças militares, com o controle de acessos da região mantido pela polícia local. Mesmo com um cessar-fogo, relatos de tiroteios e ataques a partir de posições próximas continuaram a ocorrer, aumentando a apreensão entre residentes.
A decisão de realizar a cerimônia em Nabatieh visava incentivar o retorno de parte da população às áreas controladas pela cidade, mas as autoridades destacaram que a volta ainda é lenta. Em novembro de 2024, após outro cessar-fogo, moradores haviam retornado maciçamente para reconstruir.
Um engenheiro de 33 anos, deslocado para Beirute, informou que sua casa foi destruída, mas planejava retornar para participar do Ashura. Ele estava hospedado por vizinhos cujas moradias não sofreram danos. A presença de drones israelenses no céu foi observada durante o evento.
O atual cenário segue tenso, com o cessar-fogo ainda refletindo incertezas sobre a continuidade dos confrontos na chamada zona de segurança ao sul do Líbano. Autoridades locais afirmaram que o ambiente permanece fragilizado e que a situação pode evoluir.
Contexto da cobertura
- O Ashura é uma cerimônia central para muçulmanes xiitas, em memória ao martírio de Imam Hussein em Karbala.
- A guerra entre Hezbollah e Israel resultou em milhares de mortes, com impactos significativos em Nabatieh e região vizinha.
- A cidade registrou evacuações forçadas e deslocamento de grande parte da população, que tenta medir as condições para retorno.
- A organização do evento ocorreu em meio a riscos de segurança, com equipes de apoio social e de emergência mobilizadas para manter a cerimônia e a limpeza dos espaços sagrados.
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