Em Alta Copa do Mundo NotíciasPessoasAcontecimentos internacionaisPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Acordo com as Farc, dez anos após, molda eleição mais polarizada da Colômbia

Polarização histórica no segundo turno entre Cepeda e Espriella, com a segurança pública no centro do debate e o legado do acordo com as Farc em foco

Os candidatos no segundo turno da eleição na Colômbia, Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella (Foto: Mauricio Dueñas Castañeda/STR/EFE)
0:00
Carregando...
0:00
  • O segundo turno da eleição presidencial da Colômbia coloca Iván Cepeda, candidato de esquerda apoiado pelo presidente Gustavo Petro, contra Abelardo de la Espriella, representante da direita nacionalista.
  • A campanha está altamente polarizada, com foco na segurança pública e no legado do acordo de paz com as Farc, que completará dez anos em 2026.
  • Cepeda defende a continuidade do plano Paz Total de Petro, incluindo acordos com grupos armados; Espriella defende encerrar compromissos com guerrilhas e adotar linha dura.
  • Violência recente alimenta o debate: o senador Miguel Uribe Turbay foi baleado em junho do ano passado e morreu dois meses depois; um atentado em Cauca deixou vinte mortos e trinta e seis feridos.
  • Análises apontam que a eleição funciona como um plebiscito sobre segurança, com dados oficiais indicando alta de violência e críticas sobre a eficácia dos acordos de paz.

O segundo turno da eleição presidencial na Colômbia acontece neste domingo, 21 de maio, com Iván Cepeda, senador de esquerda apoiado por o governo, enfrentando Abelardo de la Espriella, advogado de direita. A votação ocorre em meio a uma onda de polarização sem precedentes, centrada na segurança pública e no legado do acordo com as Farc.

Cepeda atuou como ativista de direitos humanos e participou das negociações de paz com as Farc e com as dissidências do ELN. Ele defende a continuidade do plano Paz Total de Gustavo Petro, alinhando-se a uma estratégia de diálogo com grupos armados. Espriella, por sua vez, defende endurecimento da segurança e rejeita novos compromissos com guerrilhas.

A disputa gira em torno de como lidar com a violência e o narcotráfico. Pesquisas indicam apoio à linha de Cepeda entre parcela da população, enquanto Espriella ganha apoio ao enfatizar ação militar mais firme contra guerrilhas e grupos criminosos.

Segundo dados, a taxa de homicídios na Colômbia permanece elevada, ainda que abaixo do pico de 2001. O Banco Mundial aponta estagnação em torno de 25 assassinatos por 100 mil habitantes nos últimos anos. A OMS classifica valores acima de dez como violenta epidemia.

Casos de violência de alto impacto voltaram a preocupar o país. Em junho do ano passado, o senador Miguel Uribe Turbay, do Centro Democrático, foi baleado em Bogotá e morreu após ferimentos. Um atentado com explosivos no Cauca, em abril, deixou 20 mortos e 36 feridos.

Analistas destacam que a segurança se tornou eixo decisivo da campanha. A cientista política Sandra Borda, da Universidad de los Andes, afirma que o processo de paz ampliou o escopo da esquerda e também da direita, com avaliações divergentes sobre o impacto do Paz Total.

Adriana Melo, especialista citada pela Gazeta do Povo, caracteriza a eleição como um plebiscito sobre segurança: negociar versus reprimir. Ela assinala que dez anos após o acordo com as Farc, as dissidências, o ELN e o narcotráfico continuam a ocupar espaço onde o Estado não chegou totalmente.

A especialista também menciona o apoio de Washington a Espriella como reflexo da polarização entre uma agenda de paz com negociações e uma linha mais dura de combate a guerrilhas, que tende a aproximar-se de políticas americanas. A avaliação é de que a segurança permanece como memória coletiva e tema central da disputa.

Victor Missiato, professor e analista, diz que a violência elevou o tom da eleição. Ele aponta que propostas de Espriella para não negociações com guerrilhas intensificam o conflito político, especialmente diante de antecedentes regionais na América Latina e de comparações com outros modelos de governança.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais