- A União Europeia busca reduzir a dependência de insumos críticos da China, como níquel, lítio, cobalto e terras raras, por meio de alianças com a América Latina, incluindo o Brasil.
- Em São Paulo, o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, enfatizou investimentos em minerais críticos e terras raras no país.
- A iniciativa Global Gateway prevê mais de € 45 bilhões em investimentos até 2027 na região, com 24 projetos estratégicos, entre eles a interconexão elétrica entre Colômbia e Panamá.
- Autoridades latino-americanas e europeias veem a América Latina como fornecedora de recursos para a transição energética, buscando relações de cooperação de longo prazo que gerem empregos locais.
- A parceria com a região faz parte de uma estratégia para diversificar cadeias de abastecimento, ampliar acordos como Mercosul e modernizar acordos com mercados estratégicos, sob a Lei de Materiais Críticos.
A União Europeia acelera sua transição energética e busca reduzir a dependência do gás russo até 2027. A estratégia passa pela diversificação de fornecedores e pela parceria com a América Latina, especialmente para minerais críticos. O objetivo é tornar o abastecimento mais estável e previsível.
A parceria com a região é tratada como parte de uma estratégia de segurança econômica e industrial. Políticas e acordos visam ampliar investigações, cadeias de valor e cooperação tecnológica para a transição energética. A prioridade é reduzir vulnerabilidades geopolíticas.
O objetivo central é diminuir a dependência da China no fornecimento de insumos como níquel, lítio, cobalto e terras raras. A ideia é criar cadeias de suprimento mais resilientes por meio de alianças com países latino-americanos, incluindo o Brasil.
Aprofundando laços
A UE planeja fortalecer laços por meio da iniciativa Global Gateway, com mais de € 45 bilhões previstos para a região até 2027. Projetos estratégicos já mapeados somam € 6,84 bilhões em interconexão elétrica.
Entre os destaques está a interconexão elétrica entre Colômbia e Panamá, em desenvolvimento há mais de duas décadas. Também há interesse em projetos de hidrogênio no Brasil, Chile e Paraguai.
Para autoridades europeias, a região se destaca pela riqueza em minerais críticos e pelo potencial de desenvolvimento de cadeias de valor associadas a tecnologias limpas. O objetivo é criar parcerias de longo prazo com benefícios mútuos.
A OLACDE aponta que a América Latina pode se tornar não apenas fornecedora de petróleo e gás, mas parceira estratégica no fornecimento de recursos e tecnologias para a transição energética. A cooperação busca empregos locais e desenvolvimento industrial.
Diversificação de fontes
A Europa considera a diversificação de fontes de minerais críticos essencial para reduzir riscos de dependência. A Lei de Matérias-Primas Críticas, em vigor desde 2024, facilita financiamento, autorizações rápidas e conectividade entre compradores e fornecedores.
A atuação inclui acordos de cooperação com Chile e Argentina, assinados em 2023, além de reconhecer o Brasil como projeto estratégico dentro da lei. Esse status facilita apoio político e financeiro para desenvolver cadeias locais.
O objetivo é ampliar a cooperação com a América Latina, fortalecendo cadeias de abastecimento, com foco em recursos, escala e estabilidade. A presença regional é vista como forma de reduzir vulnerabilidades diante de tensões geopolíticas.
Pressões de mercado
A crise de 2022 mostrou vulnerabilidade energética na Europa diante da invasão à Ucrânia, mas hoje a dependência de fósseis segue elevada. Fontes como Noruega, EUA, Argélia e Azerbaijão aparecem entre os principais fornecedores de gás.
Apesar disso, a Europa tem observado impactos nas contas de energia, com preços ainda elevados e necessidade de reequilíbrio dos mercados. A retomada de fluxos próximos pode reduzir pressões, embora o horizonte seja de meses.
A crise no Oriente Médio elevou a importância de fontes próprias de energia. A região depende fortemente de importações de querosene, o que aumenta a atenção às redes de distribuição e à segurança energética europeia.
O escudo verde da transição
Em meio a tensões globais, a UE de vê como escudo verde para a transição energética. As renováveis crescem, com destaque para a energia nuclear, que ganha papel estável na matriz europeia. A cooperação internacional é considerada essencial.
A agência europeia aponta que cerca de 70% do processamento de minerais críticos ocorre na China. A resposta passa por desenvolver a cadeia interna e reduzir dependências externas, sem abandonar alianças com parceiros estratégicos.
A Europa já assinou acordos com países latino-americanos para promover desenvolvimento sustentável de recursos. A seleção de projetos estratégicos facilita financiamento, autorização rápida e conectividade com fornecedores.
Essa visão aponta para uma relação de parceria mais ampla que envolve investimento, transferência de tecnologia e mercados conjuntos. A meta é assegurar cadeias de abastecimento estáveis para a transição energética.
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