- Gotham City Research recorreu da decisão de um juiz de Nova York que negou proteção de jornalista para seus relatórios sobre a Grifols, argumentando que a firma não obtém renda exclusivamente da atividade informativa.
- O fundo afirma que a proteção legal não exige ganhos regulares de jornalista e que a decisão cria obstáculo para modelos de negócio do jornalismo, citando a necessidade de fontes de renda variadas.
- A Grifols moveu ação por difamação em Nova York em janeiro de 2024, após o relatório da Gotham ter feito o preço das ações da farmacêutica despencar.
- O juiz determinou que a fase de discovery siga com base em apenas uma das alegações da Gotham, enquanto Gotham e seus sócios defendem que a proteção vale para jornalismo mesmo sem ganhos regulares.
- Enquanto o recurso tramita, as partes informaram que concordaram em compartilhar grande parte de documentos e comunicações com reguladores, desde que não haja restrição de confidencialidade ou proteção de dados europeia.
Gotham City Research recorreu da decisão de um juiz de Nova York que negou proteção de jornalista diante da ação de difamação movida pela Grifols. A firma de investimento contesta que seus informes sobre empresas abertas se enquadram na liberdade de expressão, buscando manter os documentos sob sigilo de fontes.
O recurso, assinado pelos advogados do fundo norte‑americano liderado por Daniel Yu, alega erro do magistrado ao exigir que a renda provenha diretamente da atividade jornalística. A defesa sustenta que a proteção não depende de ganhos regulares para sustentar o jornalismo moderno.
A Grifols moveu ação em Nova York no fim de janeiro de 2024, dias após a publicação de um informe da Gotham que acarretou queda expressiva das ações. O documento afirmava supostas manipulações contábeis e avaliava o valor da farmacêutica como próximo de zero.
O processo tramita na Justiça estadunidense, com Gotham e a General Industrial Partners, ligada a Cyrus de Weck, sob investigação na Espanha por suposta manipulação de mercado. Ambas as partes defendem que o relatório está amparado pela liberdade de expressão.
O juiz Gabriel W. Gorenstein já havia determinado que apenas uma das afirmações do informe seria considerada no momento processual, dando início à fase de discovery para o caso, com previsão de julgamento em 2027.
Os réus pleiteiam invocar a Shield Law de Nova York, para impedir que Grifols exija fontes e materiais. A defesa argumenta que o relatório se equipara a jornalismo investigativo que expôs escândalos corporativos, buscando limitar pedidos de Grifols por dados como contatos, documentos financeiros e comunicações com jornalistas.
Em paralelo, o juiz entendeu que a vantagem econômica dos reclamados depende de eventos de mercado, não apenas da atividade jornalística, o que sustenta a rejeição à proteção jornalística completa. A defesa afirma que ganhos não precisam ser regulares para justificar a proteção.
As partes discutem a interpretação da lei de proteção de fontes, defendendo que o objetivo é abranger formatos de jornalismo contemporâneo, não apenas remunerações estáveis. O recurso questiona precedentes de tribunais locais sobre o tema.
Mantenha‑se o andamento processual: as defesas de Gotham e Grifols apresentaram carta conjunta em 16 de junho, informando ao magistrado que, se o recurso for rejeitado, entregarão grande volume de informações, sujeitas a confidencialidade e dados regulatórios.
Grifols alerta, por sua vez, que pode impugnar o acordo caso haja restrições de confidencialidade impostas pela Audiencia Nacional ou pela proteção de dados europeia, enfatizando o respeito aos limites legais.
Entre na conversa da comunidade